Tuesday, December 18, 2012

MÉTODOS DIVINATÓRIOS - EXPLORANDO O OUTRO


Nos nossos relacionamentos, as expectativas em relação ao outro são grandes, assim como o seu desconhecimento, na maioria dos casos.

Esse método foi desenvolvido por mim para auxiliar as análises relacionais, sejam elas da natureza que forem nos permitindo explorar o universo do outro e entender como nos colocamos nele.

EXPLORANDO O OUTRO

1 – COMO O OUTRO ME VÊ?
2 – O QUE O OUTRO SENTE POR MIM?
3 – O QUE ELE PRETENDE FAZER?
4 – O QUE DE FATO FARÁ?
5 – O QUE TRAZ CONSIGO?

As casas são autoexplicativas e fáceis de entender. Usam-se três cartas em cada carta que revelarão como operam e se comportam os pontos principais de interesse numa relação. A quinta casa é uma das mais importantes, pois quando nos envolvemos com alguém, as nossas vidas se misturam e ficamos sujeitos a muitos dos elementos e situações da vida do nosso parceiro e é nela que eles se se mostram.

Thursday, December 13, 2012


O livro - O segredo, o mistério; e a chave.

Alguém já se perguntou por que o livro significa "segredo"?

Se contextualizarmos o baralho na época, momento e local de sua criação, no caso a europa em cerca de 1799, a maior parte da população era analfabeta sendo poucos os que tinham acesso à educação. O sistema de ensino público gratuito e obrigatório só foi adotado a partir da Revolução Franc

esa e foi aplicado por alguns Estados no decorrer do século XIX e completo no século XX.
Daí que as informações escritas serem indecifráveis para a maioria.
A codificação de informações é representada pela carta 26. Alfabetos, líguas, códigos, pertecem todos a essa carta tão "misteriosa", motivo pelo qual ela representa o segredo e o mistério.
Algo que está alí, na sua frente, mas, ao mesmo tempo tempo é inacessível, ou mesmo, imperceptível exigindo que se tenha o conhecimento e o olhar para que toda aquele conteúdo e informação, façam sentido e apareçam.

Aqui no Brasil, associamos o livro ao trabalho, mas isso não é uma regra geral. Em outros países há quem atribua esse tema à âncora, à lua ou até mesmo à raposa!!!

Fato é que o baralho carece de uma carta específica para o tema obrigando a sua adaptação que acontece de acordo com a forma que ele é entendido dentro de cada cultura e sociedade onde se encontra.

A escolha do livro como representante do trabalho em nosso país se dá pelos valores estabelecidos durante o processo de formação da cultura brasileira e tem raizes no Brasil colônia. Tendemos a desvalorizar o esforço físico que era papel dos escravos e a valorizar o "canudo", o diploma, os estudos, exclusivos dos senhores e seus filhos que eram enviados para estudar na europa, uma vez que aqui não havia universidades, nem mesmo escolas numa fase inicial do processo de colonização.

Como o lenormand é um baralho muito mais íntimo do que qualquer outro por ter símbolos vivos e cotidianos, vivenciados e utilizados por todos, podemos entender com mais facilidade a relação que têm entre si e como seus símbolos interagem.

No caso do livro, em alguns baralhos ele vem com um chave, o que era comum na ápoca e em períodos anteriores, muitas vezes parecendo-se com um diário, que guarda informações íntimas e pessoais e que também era muito comum na época.

E, não é verdade que buscamos a "chave para um mistério"?

Dessa forma, a chave e o livro se contectam de forma poderosa. O livro encerra o mistério e a chave é aquela que "Abre e que DÁ ACESSO". Juntas elas representam o desvendar de situações ocultas, o acesso à informações privadas ou secretas, o adentrar no desconhecido sem se perder e mais, nos mostra um aspecto da carta 33, a chave, que pode nos passar desapercebido, que é a capacidade de entendimento e discernimento por se conseguir aceder aos pontos-chave das situações, a quebra de barreiras e da capacidade de compreensão clara e objetiva, tendo-se acesso a níveis mais profundos daquilo que é analisado, falado ou visto.

COLABORAÇÕES IMPORTANTES PARA O BARALHO CIGANO



É sabido que a associação do nome de Lenormand e dos ciganos ao baralho foi uma estratégia de marketing dos fabricantes de carta para aumentarem suas vendas. O baralho cigano que conhecemos hoje foi criado como um jogo de tabuleiro para o entretenimento das familias em cerca de 1799-1800 com o nome de Jogo da Esperança e só veio a ser lançado como uma ferramenta exclusivamente divinatória por volt
a de 1840 levando o nome de Mlle Lenormand. Mas essa é uma outra história que contarei depois.

Mesmo toda essa origem mágica não passar de folclore e marketing, isso não tirou em nada a magia e a força das cartas que existem até hoje tendo sua popularidade aumentando exponencialmente a cada dia em todo o mundo.

O interessante é que em nosso país, a terra onde tudo dá, e onde tudo se mistura e se reconstrói, antropofágica; o que era irreal se torna REALIDADE.

Temos uma forma muito particular de ver o baralho cigano que só existe aqui. Sincretismo com os orixás e guias, junto com erros de impressão que provocaram alterações nas imagens das cartas induziram-nos a interpretá-las de uma outra forma, criarando o que chamamos de ESCOLA BRASILEIRA.

Esse corpo de ideias, esse entendimento e estudo se consolidou e ganhou forma num baralho muito especial, o primeiro feito aqui, que encerra em si toda a essencia da escola brasileira, que nasce a partir de sua criação. Ele é o TAROT CIGANO de Katja Bastos e da Trybo Cósmica!

Ele foi criado pela Rainha Cigana, um espírito de muita luz, a partir do petit lenormand, em conjunto com um renomado artista plástico que seguiu todas as suas orientações de forma que sua lâminas encerrassem os fundamentos de sua escola iniciática para que através de sua linguagem simbólica pudessem compartilhar o mundo espiritual e o material.

E dessa forma, na mágica Pindorama, na Terra Brasilis, a lenda, ou melhor, o sonho se torna realidade. O lenormand renasce no nosso país pelos ciganos espirituais, através da Rainha Cigana.

Baralho cigano e Tarô, qual a diferença?

Tarô ou baralho cigano? Qual o melhor? O que eles têm em comum e de diferente?

Cada oráculo tem características próprias, construindo-se e estruturando-se a partir dos símbolos que habitam o imaginário ou os mitos de um povo de forma que suas mensagens sejam transmitidas através de uma linguagem clara e que faça sentido.


Mesmo com todas as diferenças em suas simbologias, a sua função é a mesma: permitir-nos enxergar e entender a nossa vida e a nós mesmos através de uma perspectiva mais ampla. Mesmo havendo variações em seus símbolos, estrutura e técnicas; o seu propósito é sempre o mesmo, bem como os resultados. Meios diferentes para um mesmo fim.

Apesar desse questionamento também existir no Brasil, ganha mais força nos Estados Unidos. A ascensão do lenormand e encontrando-se nele uma maneira mais simples e objetiva de contato com o oráculo gerou a necessidade de um diferenciamento que muitas vezes excede os seus limites. Após ler alguns textos e participar de algumas discussões em grupos de estudo, resolvi preparar esse texto dividir com vocês.

Existe a falsa ideia de que o tarô mostra mais o lado psicológico e filosófico da vida, que fala mais subjetivamente, tendo muitas possibilidades de interpretação em contraste com a objetividade do lenormand que fala mais diretamente e sobre o dia-a-dia sendo mais voltado para a previsão e que suas cartas têm significados mais direcionados e não tão abrangentes.
Outro argumento é o de que os arcanos do tarô podem ser lidos sozinhos, pois darão respostas completas, enquanto o lenormand só funciona com combinações.

Nesse ponto concordo coma taróloga e lenormante Camelia Elias.
A diferença existe, mas não a esse ponto. Se fosse assim, teríamos que usar oráculos diferentes dependendo do tipo de pergunta feita! Incoerência total!

Primeiramente, tarólogo e cartomante fazem a mesma coisa.
Cartomante é aquele que lê a sorte nas cartas e o tarô é um baralho de cartas, portanto o tarô divinatório nada mais é do que uma variação da cartomancia, mais sofisticada, mas cartomancia.

O tarô tem um maior número de cartas que o lenormand somando 78 entre arcanos maiores e menores. Sua estrutura é mais complexa e seus símbolos também, possuindo cadeias simbólicas e obedecendo a um padrão que irá definir os seus significados. O mago precisa sempre estar com a varinha na mão esquerda, sendo erguida, a mesa em sua frente, etc. O mundo ter uma mulher envolta por uma guirlanda e quatro figuras nos cantos da carta, etc.

O que aconteceu com o tarô foi ter sido impregnado de conhecimentos esotéricos e sua ascensão se deu através da sua introdução no universo ocultista onde sofreu, pelos magos e ordens esotéricas dos séculos XVIII e XIX, uma releitura sendo reconstruído para conter e explicar suas doutrinas mágicas.

Outro momento importante foi a sua “psicologização”, outra releitura de seus símbolos que foram observados na ótica da simbologia e da psicologia analítica de Carl Jung e seus arquétipos.

Com isso toda uma linguagem própria foi desenvolvida e termos de ambas a áreas, ocultista e psicológica-simbólica foram incorporados ao universo do tarô torando seu entendimento mais denso. Sem falar que a linha ocultista promoveu a associação de outras áreas do saber (numerologia, astrologia, cabala) como forma de entendê-lo. Isso dificultou ainda mais o seu estudo fora desse universo.

Antes disso, o tarô não tinha nada de egípcio, nada de cabalístico nem nada de arquetípico. Ele era lido da mesma forma que o baralho cigano e as cartas de jogar. Respostas diretas e combinações de cartas. Seus símbolos eram familiares e faziam parte da vida das pessoas. Inicialmente eram feitos para a nobreza popularizando-se posteriormente, por isso retratam a realidade, primeiramente, a partir da visão dessa camada da sociedade. Tendo surgido no século XIV-XV, momento em que havia outra ordem social e com ela outra visão de mundo e outro imaginário, suas imagens eram conhecidas e compreendidas imediatamente tendo sido “cotidianas” naquele momento histórico. Por isso não podemos dizer que ele se reporta somente ao psicológico e subjetivo. O tarô também fala de questões práticas e mundanas tão bem quanto as espirituais ou filosóficas, até porque, antes do lenormand existir ele já estava aqui, e antes dessa nova moda ele já funcionava nas mãos de muitos tarólogos e taromantes orientando e esclarecendo todos os tipos de questões.

Já o baralho cigano ou petit lenormand, tem uma simbologia mais simples e um menor número de cartas, porém, nasce da mesma fonte que seu primo tarô: do imaginário e dos mitos retratando cenas do dia-a-dia, porém de a partir de outro viés, o do povo.

Sendo um oráculo muito jovem, pois tem cerca de 210 anos, não passou pelos mesmos processos que o tarô, estando livre para ser analisado sem a necessidade de nenhum conhecimento místico-esotérico ou teoria psicológica, tornando-se mais acessível e desenvolvendo uma linguagem mais direta e pessoal. Salvo o seu desenvolvimento no nosso país, onde passou por um processo similar ao seu primo quando foi introduzido nos cultos afro, sofrendo uma releitura que o reconstrói e entende a partir dessas religiões dando origem à Escola Brasileira.

Esse é um ponto interessante para ser comentado, pois grande parte dos esforços dos estudiosos e adeptos do petit lenormand lá fora é para preservá-lo de tal processo, mantendo-o simples e livre da necessidade de outro sistema simbólico ou escola iniciática para ser entendido ou explicado.

A questão da sua objetividade nas leituras e de ser “direto”, indo ao ponto sem grande esforço, se deve não só ao fato de sua simplicidade simbólica, mas por seus símbolos serem ainda vivos e reconhecidos no ambiente circundante. Eles são vividos e experienciados no dia-a-dia de forma que mesmo alguém que nunca tenha estudado ou praticado divinação com ele possa olhar e entender que o cão significa fidelidade, pois é o melhor amigo do homem.

O baralho cigano não precisa de intermediários nem de grandes estudos adicionais para ser entendido, daí ser tão preciso.

As palavras-chave ainda são tidas como fim e não como meio no universo lenormand. O fato de sua iconografia apresentar símbolos simples e a ausência de cadeia simbólica em suas cartas (a cegonha será sempre cegonha, independente de estar voando, no ninho ou comendo sapos no brejo), não o faz menos profundo em sua significação. Se, ao contrário do tarô, esses símbolos estão vivos e ativos em nosso imaginário, sendo representações de elementos da nossa realidade atual, encerram em si inúmeras possibilidades de interpretação, sendo ricos em seu simbolismo. Portanto, suas cartas também podem falar sobre questões mais elaboradas, profundas e subjetivas. A forma como serão entendidas e estudadas é que definirá o que e até onde elas falam.

É verdade que o lenormand foi feito para uma técnica específica de leitura, o grande jogo, porém, adaptações foram feitas e hoje pode-se aplicar a ele todos os métodos usados no tarô e demais oráculos. Outro ponto de dificuldade é a ausência de uma carta que represente trabalho em oposição a três que falam de vida afetiva. Para resolver esse conflito, cada região adota uma carta que represente o tema. No Brasil, os livros, para Sylvie Steibach, a rapoza, e para alguns americanos, a âncora.

Quem une os dois oráculos, fazendo-os “parentes” é o cartomante, tarólogo e astrólogo francês Jean Baptiste Alliette, mais conhecido como Etteilla, que viveu no século XVIII. Ele foi o responsável pelo ingresso do tarô nos meios ocultistas e, consequentemente, por sua popularização como oráculo. Antes de descobri-lo, Etteilla estudava e jogava cartomancia com cartas de jogar e escreveu um livro sobre o assunto (Etteilla ou manière de se récréer avec un jeu de cartes - 1770), ao mesmo tempo em que criou um baralho chamado “Petit Etteilla”. Além de numerar as cartas e inscrever nelas seu significado em pé e invertido escrito, Etteilla criou uma inovação que foi a carta do consulente.

Tão grande foi sua influência na cartomancia que a escola de Etteilla se destaca como uma variação da escola francesa e influencia os baralhos de cartomancia dos séculos XVIII e XIX como os parlour do qual fazem parte as sibilas e afins, incluindo o petit lenormand, que se sofisticam transformando a carta do consulente em duas: o homem e a mulher.

Resumindo: Tarô e lenormand apresentam diferenças estruturais e iconográficas, porém têm o mesmo alcance e eficácia na prática oracular sendo completos em si. O nível de precisão e profundidade de leitura é determinado pelo grau de conhecimento, habilidade e intuição do leitor.

Sunday, December 09, 2012

O JARDIM X A COLHEITA



Esse texto não pretende “derrubar” nenhuma “ideia errada”, apenas acrescentar e gerar uma discussão saudável que nos faça refletir sobre a diversidade e a pluralidade do baralho cigano para que possamos conciliar os conflitos que surgem nos seus estudos e que geram muita confusão. A ideia é acrescentar e compreender.

Para um melhor entendimento é necessário que saibamos que
 existem suas formas distintas de estudo do baralho cigano: as escolas brasileira e europeia. A europeia baseia-se nos significados cartomânticos tradicionais que tem como base o imaginário popular local e o simbolismo cristão. Os símbolos são representações de situações cotidianas e mundanas.

A escola brasileira nasce do sincretismo desses mesmos símbolos com elementos religiosos e mitológicos das culturas afro-brasileiras. Isso gerou uma releitura das imagens e uma ressignificação das mesmas caracterizando um novo corpo de ideias que, muitas vezes, opõem-se à sua proposta original. A escola brasileira é exclusiva do nosso país e só é utilizada e observada aqui. O resto do mundo adota a escola europeia. Em contra partida somos o país que mais popularizou e usa o baralho cigano.

A carta do jardim me chamou atenção e passei a noite toda pensando nela. Quando estudamos veremos que entre outras coisas, a escola brasileira apresenta-a como sendo a “semeadura e a colheita do que se plantou”. Também ”a cura e magia das plantas”.
Esse significado nasce a partir da associação com o orixá Ossaim e por esse caminho faz todo o sentido uma vez que ele é o orixá das folhas, da ciência, das ervas e da cura. Agora, esses atributos entram em choque com o que um jardim realmente significa, principalmente, o jardim que o baralho cigano apresenta.

Uma grande confusão se faz quando um significado que não é natural a um símbolo é atribuído a ele. Como exemplo, temos os paus, pedras e dificuldades, significado da carta dois, o trevo, na escola brasileira. Como um símbolo universal de sorte pode agregar um sentido diametralmente oposto ao seu? Não dá. Tanto que os baralhos como o da Katja Bastos, o primeiro baralho nacional a partir do qual nasce a escola brasileira, sua simbologia é readequada, eliminando-se o trevo e apresentando paus, pedras e espinhos.
Apenas para sugerir uma reflexão, o que se atribui aos jardins não faz parte dele. Quando se fala em “colheita” é de uma plantação a que estamos nos referindo. Os jardins não tem função de alimentar, prover ou sequer de se colher algo para propósitos que não sejam no mínimo estéticos, o que nada tem a ver com cura.

Os jardins representados no baralho cigano original são os jardins públicos, que são mais como praças e os parques. O seu nome em alemão não é “der Garten” – jardim, mas “der Park”, o parque. O que se representa aqui é um elemento de convívio essencial da realidade europeia do século XIX. Não podemos pensar em símbolos antigos como são vistos hoje. Parques e jardins públicos eram lugares para lazer, descontração, encontros, namoros e socialização. Um lugar onde havia um fluxo de pessoas que se olhavam, se mostravam e ao mesmo tempo admiravam aquele local onde a natureza era reconstruída para trazer beleza e deslumbre através de suas flores multicoloridas e construções vivas como cercas, esculturas em arbustos e labirintos. As pessoas não iam para se curar, mas para relaxar, alegrarem-se, socializar e relacionarem-se. A fonte em seu centro representa a vida onde tudo cresce a sua volta. A ideia é ser uma fuga da dura realidade e pretendia ser um pequeno paraíso.
Ao fim, a carta traz em si um sentido relacional, estético e de entretenimento em essência.

Mas, então e a semeadura, a cura e as folhas e ervas? Pois é. Se pensarmos nesse sentido, a partir dessas qualidades do Orixá Ossaim iremos para a carta cinco do nosso baralho, a árvore. Porém, ela já está associada ao Orixá oxossi, senhor das matas.

Um símbolo tem a capacidade de agregar muitos significados. Ele é estratificado e agregador, contendo em si, até mesmo, elementos que são divergentes na realidade. Um círculo tanto nos remete a uma bala de canhão como a uma aliança de casamento.
Sim a árvore traz a fartura e é o elemento de Oxossi! Mas, também representa a saúde e as folhas e as ervas medicinais de Ossaim. Ambos cabem aqui. Oxossi não representa a mata em si, mas o caçador. Ossaim é senhor das ervas e reina na mata de onde retira as ervas e folhas para suas curas. Segundo uma das lendas dos orixás, Oxóssi só passa a habitar nas matas depois de seu rapto por Ossaim que o encanta e aprisiona na floresta sendo mais tarde libertado e quando retorna à casa é rejeitado por Yemanjá por tê-la desobedecido. Então, retorna à floresta onde passa a viver com Ossaim.

O que pretendo com essa reflexão não é alterar o significado das cartas, pois como disse, a escola brasileira teve de fazer readequações no simbolismo do baralho para que ele pudesse e receber e comportar os seus elementos religiosos. Essas observações são necessárias para que possamos entender como nasce a escola brasileira e para que possamos explicar , com propriedade, como essas mudanças e adaptações aconteceram. Não podemos forçar sentidos a símbolos aos quais eles não pertencem. Jardins não feitos para colheitas, nem representam frutos que dão com as sementes que plantamos, pois eles são planejados e tem função estética. A árvore é um símbolo universal de cura e saúde, das ervas e também da fartura e da abundância. No próprio baralho, na escola europeia é ela a significadora da saúde.

O sistema de associação proposto pela escola brasileira é perfeito! Agrega bem os orixás e quando aplicado o método desenvolvido por Katja bastos, acrescenta e enriquece por demais uma leitura. Então, quando associamos Ossaim aos jardins não por ele os reger, mas porque ele precisa estar em algum lugar e , por convenção, é a carta 20 que o comporta na estrutura brasileira.
Nada mudou ou mudará, apenas precisamos entender o que estamos falando para não incorrer em erros desnecessários que gerarão conflito e desinformação.
Infelizmente, principalmente no meio esotérico, falta questionamento. Aceita-se tudo que é apresentado sem se perguntar de onde veio aquela ideia ou se ela é coerente e entra-se no “efeito papagaio”. Repete-se tudo o que se houve sem se saber o que está sendo dito.
Nesse momento a reflexão e o questionamento são essenciais para o desenvolvimento do conhecimento e dos estudos sobre o baralho cigano. As diferenças entre as escolas brasileira e europeia e o seu estudo constituem um norte em e meio ao caos que é mergulhar nos estudos do baralho. E com isso também definimos a nossa contribuição inestimável para a história do petit Lenormand no mundo.

fontes:
Mitologia dos Orixás – Reginaldo Pandri – Companhia das Letras

http://carmenarabelabp.wordpress.com/category/o-significado-do-baralho-cigano-para-quem-quer-aprender-a-jogar/page/2/

http://goldenmousedeer.wordpress.com/2011/07/15/79/

Saturday, December 08, 2012

O baralho fofoqueiro




Há algum tempo que essa expressão me incomoda.
Apesar de ser usada de forma carinhosa e de dar um ar especial ao baralho cigano não acredito que faça jus ao que se propõem.

Quando dizemos “baralho fofoqueiro” queremos dizer que ele diz tudo. Soa como se SÓ o baralho cigano dissesse tudo e só ele nos trouxesse informações tão detalhadas, o que é uma inverdade.
Na verdade, todo o oráculo é “fofoqueiro” na sua simplicidade ou complexidade simbólica e estrutural. O que vai definir o nível de acertos ou a qualidade de detalhamento na análise ou previsão não é o tipo de oráculo que estamos usando e ,sim, o conhecimento e as habilidades do leitor.

Já tive consultas com tarólogos, astrólogos e runemals que me disseram tudo e mais alguma coisa com uma riqueza de detalhes de arrepiar e, no entendo, não estavam suando o baralho cigano.

O que acontece é que o petit Lenormand tem símbolos cotidianos, ou seja, fazem parte da nossa realidade e vivências, ganhando sentido de forma imediata, sem que tenhamos de ter grandes estudos ou preparações. Afinal, todos sabem que o cão é o melhor amigo do homem e, por isso, está a ele atrelado o significado de fidelidade e parceria; que o sol é símbolo da alegria ou mesmo que a cobra é um perigo ou que não devemos confiar num amigo urso.

Esse imediatismo, esse contado direto e vivencial com os seus símbolos é que traza falsa impressão de que ele fala mais do que os outros oráculos. Na verdade ele tem uma linguagem que nos é acessível e de fácil compreensão. A chave para uma boa consulta está no conhecimento que temos do sistema simbólico com o qual trabalhos em conjunto com a nossa intuição e experiência de vida.

O baralho cigano TAMBÉM é um baralho fofoqueiro como todos os outros oráculos o são nas mãos de quem é competente para usá-los.

Friday, December 07, 2012

Baralho Cigano, o jogo que virou oráculo.




O baralho cigano é um dos oráculos mais populares no Brasil. Sua simplicidade, atualidade e imagens que fazem parte do nosso dia-a-dia compõem uma linguagem que transmite suas mensagens de forma imediata, sem necessidade de grandes estudos esotéricos, pois é a partir do imaginário e da sabedoria popular que seus símbolos nascem. Isso faz com que ele seja bem entendido e seja preterido por muitos.

Porém, como todo oráculo, ainda existe a imatura necessidade, por parte de seus adeptos, de uma origem mágica e divina, com grandes magos e povos misteriosos e entidades poderosas que expliquem sua criação.

Na verdade, não há necessidade de tanto para algo ser realmente especial. A espiritualidade atua através de tudo, inclusive das pequenas coisas e dos acasos.

Muitos textos e livros atribuem a criação do baralho cigano ou petit lenormand ao povo cigano e à célebre vidente e cartomante francesa Mlle Lenormand. Na verdade o seu nome só se vincula a tais personalidades como estratégia de marketing para que a sua venda fosse garantida. Na verdade a sua origem é outra. Talvez não tão mágica e até bem comercial, mas nada disso tira a sua força e o impacto positivo que causa em nossas vidas desde seu surgimento.

 Recentemente, em meio à sua crescente popularidade, a pesquisadora americana Tali Goodwin divulgou os resultados de seu trabalho revelando que a primeira versão do baralho cigano, foi criada na Alemanha com o nome de “Das Spiel der Hoffnung” (Jogo da Esperança), em 1799, contrariando e derrubando as teorias vigentes que se fundamentam somente em especulações sem haver qualquer evidência histórica que as sustentem e que, mesmo assim, são espalhadas aos quatro ventos como fatos.

Seu criador foi Johann Kaspar Hechte (1771-1799) que concebeu o baralho como um jogo de tabuleiro portátil para entretenimento das pessoas. Assim, o primeiro baralho cigano era um JOGO DE TABULEIRO EM FORMA DE BARALHO como o ludo, o jogo da vida e afins.

Uma nota sobre ele  foi publicada no livro “Humoristische Blätter für Kopf und Herz” (Bieling -1799) no ano de seu lançamento :

"Hechtel, JK – O Jogo da EsperançaThe, um agradável jogo parlour, com 36 iluminuras, embaladas. " {"Hechtels, JK - das Spiel der Hoffnung, eine angenehme Gesellschaftsunterhaltung, mit 36 illumirten Figurenkarten, gebunden"}


 
Segundo o livro a proposta do era lúdica e pedagógica.

Um exemplar do baralho encontra-se no Museu Britânico, em Londres e foi fotografado por Tali e reeditado sob supervisão do artista Ciro Marchetti, criador do Guilded Tarot , Legacy Tarot e Tarot of Dreams numa edição limitada de 250 exemplares.


O livro “The new Lenormand”, da pesquisadora americana, tem o seu lançamento previsto para o primeiro semestre de 2013 e traz o resultado de suas pesquisas históricas sobre o baralho. Outra curiosidade é que uma das formas de jogar o “Jogo da Esperança” era fazendo pequenas previsões de forma lúdica, como parte do entretenimento oferecido pelo jogo. As regras dessa parte não foram traduzidas nem divulgadas e estarão no livro “The new Lenormand”.

O baralho só passou a ser chamado “petit Lenormand” numa reedição que aconteceu após a morte de Lenormand, na segunda metade do século XIX. Nesse momento, vários outros baralhos foram associados ao seu nome como estratégia de marketing.

As cartas do Jogo da Esperança têm as figuras que conhecemos sendo que a árvore é representada como “as árvores” e, além das figuras, cada lâmina apresenta dois tipos de naipes: franceses (copas, paus, espadas e ouros) e alemães (corações, bolotas – frutos do carvalho-, folhas e guizos).


O nome do jogo é dado pela forma como se ganha. Quem chegar primeiro na carta da âncora, nº35, é o vencedor. A âncora é o símbolo da esperança e também traz esse significado no baralho divinatório. No percurso do jogo algumas cartas podem lhe prender, eliminar, fazer avançar, retroceder, etc.

Aqui vai a tradução das regras, fornecidas por Tali e traduzidas por mim.

Vivemos um momento importantíssimo na história do baralho cigano. Essas informações tão preciosas nos permitem entender melhor quem ele é. A compreensão de sua origem nos dá a oportunidade de conhecermos melhor o baralho e redirecionar nossa visão, construindo uma base mais sólida para o seu saber.

Agora, vamos deixar de falar tão sério e jogar um pouquinho.

Divirtam-se com os amigos e a família!
Jogo da Esperança

Introdução

Essa é a primeira tradução para o inglês do livreto de instruções de 4 páginas que acompanha as cartas do “Jogo da Esperança” que se encontram no Museu Britânico com o nome de “Das Spiel der Hofnung [Reg. 1896, 0501.495]. Essas cartas, de autoria de J. K. Hechtels, foram publicadas em cerca de 1800 pela G. P. Bieling de Nuremberg. As instruções trazem regras de jogo e formas simples de prever o futuro contanto histórias.

A sua ligação com o protótipo de todos os “petit lenormands” que se seguiram foi feita em 1972 pelo Prof. Detlet Hoffmann e Erika Kroppenstedt em Wahrsagerkarten: Ein Betrag zur Geschichte des Okkultismus (citado no “A Wicked Pack of Cards” de Decker, DePaulis e Dummett, 1996).

As cartas estão em alguns museus e o Tarot Professionals pagou, recentemente, por uma foto de alta qualidade do baralho e disponibilizou no site do Museu Britânico. Após nossas visitas adicionais ao Museu Britânico e anotações, fomos capazes de oferecer essa tradução integral em inglês das instruções feita por Steph Myriel Es-Tragon.

Fomos informados que o Museu Britânico também fotografará o livreto informativo disponibilizando-o em breve. Foi concedida uma licença exclusiva ao Tarot Professionals para publica-las como um baralho, “O Lenormand Original” em edição limitada de 250 cópias que serão publicadas entre junho e julho de 2012.

Acreditamos que a tradução abaixo dá alguma indicação de como as cartas teriam sido vistas na época de sua origem em termos de interpretação oracular. Isso será explorado mais profundamente no nosso livro que será publicado em 2013. Embora algumas dessas interpretações possam ser óbvias - a raposa representa astúcia - outras são, talvez, reveladoras como o livro ser visto como feitiço.

É notório que as cartas são divididas em favoráveis, desfavoráveis e indiferentes onde não se perde ou ganha nada. No livro também examinamos as origens desse sistema nos primeiros jogos de moralidade e ensino. Essa é a área que pode ser mais explorada para que se desenvolvam leituras de lenomand através de interpretações mais espirituais junto com leituras mundanas sem que se cubra-as com esoterismo ou complexidade.

Como esses jogos criaram significados “tradicionais”, mesclando-se com outras correntes cartomânticas será também explorado em nosso livro prestes a ser lançado. Há também vários artigos sobre as cartas lenormand na Tarossophist International V. 1 Iss. 15.

Esperamos que apreciem essa tradução e que possam usar as cartas do “Lenormand Original” para joga-las como jogo e também de forma divinatória.

OBS.: O "marco" referido no jogo é a antiga moeda alemã e pode ser substituida por moeda corrente ou qualquer outra coisa que simule dinheiro.

O Jogo da Esperança

Podem jogar quantas pessoas quiserem, e cada jogador coloca de 6 a 8 peões num pote. As 36 iluminuras são dispostas num quadrado que deve ter seis linhas de seis cartas em ordem numérica. De 1 36.

Depois cada jogador pega um peão ou peça e joga os dois dados em cada vez, movendo-se o número de cartas começando pela primeira. Por exemplo, um jogador que tenha tirado nos dados 4 e 1, move sua peça até a 5ª carta. Na próxima vez irá mover o número de cartas a partir da 5ª até terminar o jogo.

A ordem do jogo pode ser determinada pelos dados, por exemplo, pode-se combinar que quem obtiver o maior número nos dados começa e o menor número joga por último. Se dois jogadores obtiverem o mesmo número, joga-se de novo para o desempate.

Cada uma das 36 lâminas na qual o seu peão cair , nela encontrará uma figura que pode ser favorável, desfavorável ou indiferente. Chamo de indiferentes as lâminas que não influenciarem a direção do peão para frente ou para trás no jogo, de forma que ele fique ali até a próxima rodada.

As lâminas seguintes são favoráveis ou desfavoráveis:

Nº 3 - A pessoa que tirar 3 e chegar ao navio, será alegremente levada por ele até às Ilhas Canárias onde os belos conhecidos pássaros estão em casa, nº 12.

Nº 4 – Na entrada dessa casa, dois marcos tem de ser dados ao porteiro.

Nº 6 – As núvens torvejantes te levam de volta ao número 2.

Nº 7 – Para se proteger da perigosa picada dessa serpente, 3 marcos tem de ser pagos.

Nº 8 – Aquele que chegar a esse caixão será considerado morto até outro jogador chegar nessa lâmina ou até que ele consiga dois números iguais para que quando for jogar os dados não saia do jogo.

Nº 11 – Para que não seja castigado por esse chicote, deve-se pagar 2 marcos. Para essa movem-se duas casas para o rapaz, nº 13.

Nº 14 – A astuta raposa desvia o jogador e ele tem de buscar refúgio na floresta na lâmina de número 5.

Nº 16 – Chegando à estrela de boas perspectivas, o jogador ganha 6 marcos.

Nº 19 – Para desfrutar de uma vista agradável da Torre, paga-se 2 marcos.

Nº 21 – O jogador deve ficar nesses íngremes alpes até que outro o tire de lá ou ele consiga dois números iguais nos dados.

Nº 22 – Sem saber, esse caminho te leva contornando as montanhas de volta para o jardim na carta de número 20.

Nº 24 – Quem quer que conquiste esse coração, o oferecerá imediatamente para o jovem número 28 ou para a jovem no número 29.

Nº 25 – Quem achar esse anel ganha 3 marcos.

Nº 26 – Quem ler esse grimório será forçado por um feitiço a voltar para o Jardim, carta 20.

Nº 27 – Quem receber essa carta tem de pagar 2 marcos para o portador.

Nº28 – Esse jovem leva até o brilhante sol da esperança no número 31. Mas, quem chegar aqui por meio do coração, número 24, isso não acontecerá. Espera-se, então, pela próxima vez.

Nº 29 – A jovem leva até a lâmina 32, a menos que se chegue por aqui através do coração.

Nº 33 – Alcançando essa chave, ganha-se dois marcos.

Nº 34 – Alcançando o peixe, paga-se 2 marcos.

Nº 35 – Essa é a lâmina mais importante do jogo e, aquele que cair aqui é o vencedor e leva o todo o dinheiro do caixa ou depósito.

N 36 – Tão perto do campo mais afortunado, o jogador é enganado e contra sua vontade avança um passo para longe em direção à figura da cruz até que outro jogador chegue e retire o seu fardo ou consiga um duplo nos dados.

Se o jogador lançar um número que exceda 36 cartas, ele deve contar para trás a quantidade de números que moveria depois da cruz. Por exemplo, ele está na 32 e lança 8, então tem de voltar 4 casas pois elas são as excedente de 36 de forma que fique na 28.

Também não será possível receber o dinheiro do caixa caso esteja se movendo para trás a partir do excesso de 36, somente se estiver se movendo para frente, por exemplo, se alguém fica na casa 29 e lança 6, ele chegará até a âncora e ganha o jogo.

Se os jogadores quiserem adicionar mais variedade para o entretenimento do jogo, usando charadas, multas, etc, é fácil de se fazer e cada grupo será capaz de encontrar lâminas em que podem ser acrescentadas recompensas ou multas. Por exemplo, as lâminas nº2,5,9,13,15,18,23,30,32,36 podem ser declaradas como multas quando se chegar até elas em ordem numérica, nas 10,12,17,29,35 deve-se catar canções de amizade e desejos de saúde e para isso encontrará várias sugestões no livro “Seleção das mais Excelentes Canções de Amizade”, publicado pelo mesmo editor.

Para que se possa jogar com cartas comuns de naipes franceses e alemães com essas 36 cartas com figuras para maior entretenimento, as cartas alemães e francesas foram incluídas no topo de cada lâmina. É somente necessário deixar-se os 6s e 7s fora do jogo. Isso também torna fácil de aprender a comparar as cartas alemãs e francesas.

Também é possível jogar um divertido jogo oracular com essas cartas embaralhando-se as 36 e deixando a pessoa para quem é destinado o oráculo corta-las e depois dispô-las em 5 linhas com 4 linhas de 8 cartas e a quinta com as 4 restantes. Se a pessoa que consulta é uma mulher, lâmina 29 começa-se compondo um alegre conto a partir das cartas que a rodeiam. Se para um homem, o conto começa da lâmina 28 e, mais uma vez, usa-se as cartas que a rodeiam. Isso trará muita diversão para qualquer boa companhia.

...

Nosso livro sobre as cartas Lenormand será publicado no começo de 2013 pela Llewellyn Worldwide, contendo essa e outras pesquisar originais, com lições sobre leituras de cartas, compostas a partir da tradição cartomântica europeia.

Marcus Katz & Tali Goodwin, com Steph Myrel Es-Tragon.

 




Saturday, September 22, 2012

I Encontro Carioca de Baralho Cigano


 É com muita alegria que venho divulgar as informações sobre o I Encontro Carioca de Baralho Cigano.

Qual a realidade do Baralho Cigano hoje? Como ele se insere no panorama brasileiro e mundial? De que forma dialoga com outros oráculos, terapias, magia, religião e com a espiritualidade?

Com sua popularidade crescendo a cada dia, novos baralhos e obras têm sido publicados e grandes nomes do saber místico e esotérico têm voltado a sua atenção para o petit Lenormand ,ou baralho cigano, que ganha cada vez mais adeptos e um lugar de destaque no meio esotérico.

Recentes descobertas acerca de sua história causaram impacto na comunidade Lenormand no mundo todo. O baralho foi publicado pela primeira vez como um jogo de tabuleiro para o entretenimento das crianças e suas famílias. Como essa descoberta afetou- o?

O Brasil é o lugar onde o baralho é mais utilizado e onde se desenvolveu uma forma muito particular de estudo e entendimento de sua estrutura e simbolismo que é única no mundo. O marco zero da escola brasileira é o Tarot Cigano de Katja Bastos que institui a chamada “escola brasileira”, tornando-se um modelo a partir do qual outros baralhos conhecidos foram criados. Cercada de romantismo e espiritualidade, a a sua história acaba transformando lendas em realidade.

Tendo sido prontamente adotado pelos cultos afro-brasileiros, cartas e orixás se fundiram num sincretismo importante criando uma linguagem especialmente brasileira.

Para discutir esses e outros assuntos estarão reunidos os lenormantes Alexsander Lepletier e Katja Bastos junto com sua convidada especial, a astróloga e estudante de baralho cigano Vanessa Tuleski.

Dia 17/10/2012 ,das 19h às 22h

Local: Universidade Cândido Mendes – Rua Joana Angélica, 63 - Ipanema

Informações: 8894-8263 / fortuneteller_21@hotmail.com (Alexsander Lepletier)

Organização e produção: Alexsander Lepletier

Apoio: Universidade Cândido Mendes – Ipanema

 Programa:

19h - Alexsander Lepletier – Novas descobertas. O Brasil, o mundo e as cartas através de um novo olhar.

20h - Katja Bastos – O Tarot Cigano e a Trybo Cósmica. O nascimento da escola brasileira e a magia das religiões da natureza.

21h – Abrindo as cartas: Um bate papo com a Astróloga Vanessa Tuleski e sua relação com o baralho cigano e a astrologia.

Wednesday, September 05, 2012

Luciana Lebel, We Need a Hero! - O cavaleiro

Tive de compartilhar com vocês esse belíssimo texto elaborado pela minha amiga e taróloga, Luciana Lebel, sobre a carta 1 do baralho cigano, o cavaleiro, em nosso grupo de estudos.

Está maravilhoso! 

Enjoy it!

Leiam o texto em conjunto com o vídeo.



E, vamos ao ataque ao som de "I need a Hero"

AiôôôÔÔ, Silver! 

E lá vem ele, o cavaleiro, galopando trazendo notícias de outras terras, trazendo as novidades, mensagens que nos servem a ocasião, surpresas que podem nos salvar. Ele vem rápido, ele confia no próprio taco e controla bem o seu cavalo. 
Se o cavalo é um animal temperamental, mas também forte, musculoso e potente, podemos associar a uma pessoa atlética, um herói, um homem másculo, um guerreiro ou defensor.Energia e movimento.(E as donzela pira).rs 

Um cavaleiro sem desafio, ficaria inquieto e impaciente. Dê um dragão para ele matar, ou o chame para tirar seu gato de cima da árvore, ele topa qualquer parada, qualquer aventura e novos estímulos e nos empresta essa determinação quando nos deparamos com o desconhecido. 

O segredo dele é a firrmeza de seu propósito, seu senso de direção. Ele nos traz a informação e energia certas para superar os revezes.
Com a vitalidade do cavaleiro, nós acreditamos em nós mesmos e sabemos utilizar da nossa impetuosidade para grandes conquistas, superando obstáculos que possam aparecer no caminho. 
Com ele disparamos para nossas metas e saltamos sobre os terrenos acidentados, enfrentamos os desafios e damos um jeito de chegar onde queremos. 

Este cavaleiro adora ir para lá e para cá, por isso remete a viagens curtas. Ele vem, resolve e parte. Imagino que é má idéia querer segurá-lo. Estar se movimentando faz parte da sua natureza. E o cara é rápido no gatilho.

Sunday, July 22, 2012

Lenormand na moda, Coco Chanel e seu baralho


 

A mais recente biografia de Coco Chanel produzida pela escritora de moda, a  inglesa Justine Picardie traz informações interessantes para no universo Lenormand. 

Segundo a autora, Chanel tinha era interessada no mundo esotérico. Considerava o 5 seu número da sorte e por isso esse se tornou o nome do seu mais famoso perfume.
 
O seu perfumier disse: “Apresentei-a minhas criações, duas séries de números 1 a 5 e 20 a 24. Ela escolheu alguns, um dos quais era o número 5. “Como esse será chamado?”, perguntei. Mademoiselle Chanel respondeu: “Apresentarei minha coleção de vestidos no dia 5 de maio, o quinto mês do ano, vamos chama-lo de Nº5.” Esse número lhe traria sorte.”

Justine cita que Chamel teria sido influenciada pelo sistema teosófico, que lhe foi apresentado pelo seu amante, Boy Caspel, algum tempo depois deles  se conhecerem em 1909. Ela se questiona se o número 5 sendo um “representante do quinto elemento, a lendária quintessência dos alquimistas”, teria tido algum papel na sua ligação com ele.

Como boa amante do esoterismo, não podia deixar de se igar a um oráculo, elegendo nosso querido petit Lenormand como seu preferido e com o qual fazia leituras diárias! O baralho continua onde ela o deixou pouco antes de sua morte, em cima da penteadeira no seu apartamento da Rue Cambom.
Mesmo tendo significados tão “nefastos”, a sua carta favorita era a foice, carta de número dez por ela mostrar feixes de trigo. Chanel tinha fascínio pelo trigo, símbolo da segurança e da bondade e possuía vários objetos representando-o em seu apartamento. Na edição inglesa do livro de Justine, encontra-se uma figura da carta na página 19 que a autora erroneamente apresenta como “A carta de TARÔ favorita de Coco Chanel”. Erro que incomoda bastante quem conhece o assunto e nos incomoda a falta de profundidade nessa parte de sua pesquisa.

A blogueira Hestia em seu Hestia’s Larder faz uma comparação bem interessante, apesar de historicamente imprecisa entre Lenormand e Chanel:

  • Ambas nasceram em cidades relativamente próximas (130 km de distância uma da outra):
  1. ·         Lenormand – Aleçon
  1. ·         Chanel – Saumur
  •   Ambas foram educadas em conventos, mas tinham irmãos e parentes.
  •   Ambas passaram um tempo em Londres*.
  •   Ambas trabalharam como especialistas em suas áreas atuando em altos escalões da sociedade.
  1. ·         Lenormand – Não só trabalhou com Napoleão e Josefina, mas também com os revolucionários Robespierre e Marrat.
  1. ·         Chanel – Não só vestiu os grandes da alta sociedade parisiense como também vestiu as esposas de oficiais alemães e Jaqueline Kennedy.
  •   Ambas não se casaram e não tiveram filhos.
  •   As duas tiveram sobrinhos que se beneficiaram das fortunas de suas tias famosas.
  •  Lenormand é considerada a mais famosa cartomante francesa de todos os tempos. Chanel a designer.
Realmente os paralelos são super interessantes, porém a fonte que a autora usou foi o livro de Sylvie Steinbach – The Secrets of the Lenormand Oracle que, apesar de ser a obra mais conhecida e mais vendida no mundo sobre o assunto é extremamente imprecisa e desatualizada no que diz respeito à história do baralho.

Segundo Decker, Dummet e DePaulis em A Wicked pack of Cards, a suposta passagem de Lenormand em Londres não aconteceu, como mostram os registros históricos, sendo esse, mais um boato como tantos outros que fazem parte da história da cartomante francesa.

Lenormand teve realmente contato com a alta sociedade francesa e, muito PROVAVELMENTE, com Josefina, mas Robespierre e Marrat, NÃO PODEMOS AFIRMAR. Ela se autopromovia demais e muitas afirmações suas foram jogadas de marketing, nada mais. 

É, gente, acontece nas melhores famílias, não deixemos nossa necessidade de romantizar e divinizar tudo distorcer fatos e afirmar inverdades. 

Mesmo assim, os paralelos entre as duas são bem interessantes bem como a relação tão próxima de Coco Chanel com o Petit Lenormand.

Friday, April 06, 2012


The End II
Saudades. É isso que fica quando algo ou, principalmente, alguém de quem gostamos muito de vai.
É nela, na saudade, que venho, mais uma vez,  depois de cinco anos,  lenormar no caixão.
Inevitável é o fim de tudo o que existe, mesmo que continuemos, infantil e inconscientemente, propagando para as novas gerações que somos eternos e que a morte é ruim e que quem morre é o vizinho.
Ponto final. O caixão é um símbolo forte, porém, é consequência de se estar vivo, énatural. É para onde todos iremos quando tivermos nos esgotado, encerrado nossa missão, consumido toda a nossa finita energia vital.


Não vale a pena fugir. O melhor que fazemos é aceita-lo pois ele é uma força maior do que todos nós e habita dentro de cada um e nos permite renovar.
O caixão veio forte dessa vez. Papai se foi.
O buraco deixado por essa perda é enorme.  A dor da falta pode se tornar angustiante para os menos preparados e gerar imenso sofrimento.
Esses buracos na vida acontecem desde que nascemos pois sempre nos falta algo. A falta gera a necessidade de satisfação que por sua vez nos mobiliza para sua  saciedade por isso são necessários.



De papai me resta muita coisa. Lembranças maravilhosas, alegres e felizes. Ensinamentos  e exemplos. O maior tesouro: a fórmula para se viver feliz! Ele me deu sim. E ela funciona!
Não posso esperar mais nada de novo dele, mas trabalhar com o que ficou. Usar a energia causada por essa falta para re-construir a minha vida. Fazer valer todo o amor investido, toda sabedoria passada. Zerar e recomeçar. Isso é o oito! A mudança não vem se não houver perda. Essa é essencial .
Não sei se esse seria um post tão didático como gostaria que fosse. Na verdade ele é mais um desabafo. Uma forma de viver o caixão e concluir de uma vez essa experiência  pois, como meu  pai me ensinou: a queda de um homem só serve para fazer com que ele cresça mais.


“Que se esvazie o que está cheio, para se encher o que está vazio.”
Aprendi que a morte traz vida. Sinto-me mais motivado a viver e a construir as minhas obras. Muito do que meu véio me disse faz sentido, agora.