Monday, June 09, 2014



Esse é o segundo de uma série de textos sobre Mlle Le Normand que estou traduzindo para que possamos conhecer a vida e obra da mais famosa adivinha de todos os tempos e entender a sua real relação com o baralho que leva o seu nome, outros oráculos e o mundo da leitura da sorte.

Mais adiante, publicarei a mais importante biografia de Mlle Le Normand escrita pelos pesquisadores Decker, Dummet e Depaulis através da qual todas as traduções que fiz até agora ganharão novo sentido aos olhos dos curiosos e estudiosos.

Vale lembrar que grande parte do que foi escrito sobre a Sibila dos Salões foi baseado em seus próprios livros, tornando questionáveis seus conteúdos. Le Normand fez um brilhante trabalho de marketing voltado para sua autopromoção, fortalecendo a imagem da personagem que criara, ocultando, assim, sua verdadeira história.
O livro REMARKABLE WOMEN OF DIFFERENT NATIONS AND AGES - MULHERES NOTÁVEIS DE DIFERENTES NAÇÕES E ÉPOCAS foi escrito treze anos após a morte da vidente é, como descrito no seu prefácio, uma compilação de textos de outros autores:

“Os esboços biográficos a seguir, com poucas exceções, são escritos de autores americanos e ingleses. 
...
O compilador não atribui a si qualquer crédito sobre a obra, exceto por reunir nela as mais extraordinárias mulheres de diferentes épocas e nações, cujas vidas ocupam um certo lugar entre romance e história. ...”

Não deve ser levado como referência para o entendimento da vida de Marie Anne Le Normand, pois, como veremos mais tarde, ele se constitui mais de romance do que fatos, de qualquer forma, é importante para que possamos conhecer como a sibila era vista na época.

REMARKABLE WOMEN OF DIFFERENT NATIONS AND AGES - 
MULHERES NOTÁVEIS DE DIFERENTES NAÇÕES E ÉPOCAS.

Publicado por: J.P. Jewett
Ano: 1858

MADEMOISELLE LENORMAND - A ADIVINHA

Lenormand – Angélica – pobre Angélica! – a PRINCESA DE CARABOO: - cada um com sua comitiva de monarcas e chefes de estado, eruditos e artistas, lordes e damas, - a sacerdotisa, - a vítima, - a burlista, - no templo da Fortuna

Os franceses tem sido acusados de ceticismo e falta de fé em questões de grande importância. Nós não estamos aqui para questionar isso, mas à soma de quinhentos mil fracos, acumulada por Mademoislle Lenormand, a célebre adivinha, constitui forte evidência da credulidade da nação nos assuntos em que a falta de fé poderia ser justamente defendida. E essa credulidade, estranho dizer, manifestou-se num momento em que o que era chamado de grilhões de superstições antigas foi deixado de lado por grande parte da sociedade. Além do que, não parece ter havido alguma notável exaltação ou mostras de Inteligência. Algumas coincidências fortuitas, uma autoconfiança desmedida e uma considerável perspicácia eram a base de seus presságios e serviam para suscitar , numa forma singularmente impressionante, a fraquesa de muitos dos mais célebres personagens do último século; embora deva-se lhe reconhecer que seus compatriotas não eram os tolos de sua impostura.

O pai de Mademoiselle Lenormand era de Falaise; mas, tendo se casado com uma Mademoiselle Guilbert, de Aleçon, estabeleceu-se na última cidade, onde a célebre adivinha nasceu, além da sua irmã mais nova e um irmão que entrou para o serviço militar. Madame Lenormand morreu jovem, e seu viúvo, que casou outra vez, não viveu por muito tempo as suas segundas núpcias. O seu segundo marido, logo superou a sua perda tendo outra esposa, de quem Mademoiselle Lenormand e seus irmãos ficaram dependentes dos cuidados do pai e uma madrasta que, para se livrar da jovem família que não lhe pertencia, colocou as filhas num convento de freiras Beneditinas na cidade, donde, quando tivessem aprendido tudo que as bondosas irmãs pudessem ensinar, seriam removidos para aquele de Visitation e por todos os conventos de Aleçon, um de cada vez depois dos quais, a futura profetisa foi aprendiz de costureira. Foi na casa das Beneditinas que Mademoiselle iniciou sua vocação prevendo que a Madre Superiora seria, dentro de pouco tempo, retirada de seu posto pelo qual, o mal presságio levou a jovem dama a uma punição e o cumprimento de uma pena, porém a sua realização, logo, confirmou a previsão. Ela continuou a carreira que começou anunciando o nome, idade e várias outras particularidades da substituta da antiga abadessa. Na época, haviam várias candidatas ao posto e a decisão final permaneceu incerta e suspensa. Constatando-se, por completo a verdade do oráculo, ele confirmou as pretensões da jovem dama em ter um poder sobrenatural de revelar acontecimentos futuros. Mas a cidade de Aleçon era limitada demais para o seu caráter ambicioso e para quem desejava empunhar a varinha da profecia. Ela convenceu sua madrasta a envia-la para Paris, onde seu padastro morava; e aos 14 anos Mademoiselle Lenormand chegou na cidade sem nas nenhum bem mundano a não ser as roupas que carregava nas costas e uma quantia de seis francos no bolso, dada a ela por sua protetora materna.

Logo que chegou na grande cidade, seu padrasto conseguiu uma vaga numa loja onde rapidamente conquistou a boa vontade de seus patrões e la grosse Normande tornou-se a favorita de todos. Um dos funcionários foi incumbido de ensinar-lhe aritmética e contabilidade e deu-lhe algum conhecimento de matemática. Dedicando-se aos seus estudos com grande afinco, elas, em pouco tempo, superou seu instrutor e resolveu, depois de certo tempo, sustentar-se por conta própria, de acordo com a sua forma de ser e inclinações. Para isso, ela montou um bem sucedido bureau d’ecriture na Rue de Tournon , onde continou a exercer sua vocação como profetisa até a sua morte em 1843. Seu sucesso permitiu-a proporcionar à sua irmã o casamento de seus sonhos e promover a carreira militar de seu irmão. Foi no fim do reinado de Louis XVI que Mademoselle Lenormand iniciou suas práticas. Os problemas que inquietavam a mente de todos a sua volta e os enchia de agitação e ansiedade, eram muito propícios para ela. A desafortunada Princesa de Lamballe, cujo intempestivo destino prevera, era uma de suas clientes frequentes e que possuía uma carta de Mirabeau, escrita de sua prisão em Vicennes, na qual pedia-lhe que lhe dissesse quando seu cativeiro chegaria ao fim.

A revolução seguiu-se e candidatos às graças de seus poderes oraculares, aumentaram. Alarmados com o rápido progresso dos eventos e tomados por superstições por causa de seus medos, multidões de ansiosos consulentes amontoavam-se na Rue de Tournon sob vários disfarces que não exigiam grande perspicácia ou talento para descobrir. Foi nessa época que dois guardas franceses que se juntaram à multidão no ataque à Bastilha, vistaram a célebre leitora do futuro: para um ela previu uma curta, porém gloriosa carreira militar e uma morte precoce por envenenamento; para o outro o bastão de marechal da França. O último seria, mais tarde, o General Hoche, cujo precoce destino era cheia de augúrios: o outro, o célebre Lefbvre. O Conde de Provença (mais tarde Louis XVIII), na noite de sua fuga de Paris, consultou a sibila da Rua de Tournon antes de sua partida.

Durante o reino de terror, Mademoiselle Lenormand continuou por algum tempo, sem ser incomodada no exercício de suas práticas divinatórias e foi visitada numa noite por três homens que exigiram, com sorrisos de evidente incredulidade, conhecer o seu destino futuro. Ao examinar, atentamente, suas mãos ela ficou bastante agitada, provavelmente, sabendo com o que teria de lidar; eles a encorajavam, todavia, a falar sem medo, como se estivessem preparados para ouvir qualquer destino que ela proferisse. Ela ficou quieta por algum tempo e continuou examinando as cartas com muita atenção, mas com considerável excitação; dando-se por vencida, na medida de sua motivação, ela previu seu destino e, trágico como foi, eus visitantes receberam a profecia com altas gargalhadas de incredulidade. “O oráculo falhou,” disse um deles, “se estamos fadados à destruição, devemos, pelo menos, cair ao mesmo tempo; não posso ser a primeira vítima e receber tão esplêndidas honras depois da morte, enquanto as pessoas irão encher seus últimos momentos com cada insulto possível.” “Ela difama os cidadãos e deveria responder por isso no tribunal”, disse o mais jovem do grupo. “Bah!” respondeu o terceito; “Não vale a pena preocupar-se com sonhos proféticos.” A morte de Marat, um dos consulentes, em pouco tempo, confirmou a primeira previsão; e a realização da segunda salvou a profetisa da destruição, ela estava sendo encarcerada quando Robespierre e St. Just, os outros dois visitantes, encontraram o destino que ela lhes previu. Como aconteceu da ciência de Mademoiselle Lenormand não a tê-la protegido dos perigos em que foi envolvida, não há registros. Devemos supor que, ocupada com o destino dos outros, ela parece não ter lido o seu, colocando-se em situações perigosas que poderia ter evitado se examinasse sua própria mão ou abrisse as cartas para que fosse ficar informada e sabendo o que estaria por vir. Ainda assim que ela acreditava, realmente, no seu poder divinatório parece comprovar-se pela sua conduta em relação ao seu irmão que, como é sabido, foi para o exército. Recebendo a notícia de que foi ferido severamente num combate, ela não parou de buscar nas cartas sobre o seu estado de saúde; e, depois de passar a noite em várias pesquisas cabalísticas, ela foi encontrada, pela manhã, por sua assistente, banhada em lágrimas, dando ordens para iniciar o luto, tendo apurado, disse, que seu irmão estava morto, o que foi, mais tarde, confirmado com a chegada de cartas.

Depois do reino de terror, a celebridade da profetisa continuou a crescer. Barrère era um de seus frequentes visitantes. Madame Tallen, raramente passava uma semana sem valer-se dos poderes sobrenaturais da sibila. Barras a enviava, frequentemente, para Luxemburgo. Pelo acesso que tinha a todos os partidos, não era preciso grandes habilidades divinatórias para prever os grandes eventos que ocorreram naquela época. O Império, entretanto, foi a época de sua mais rica colheita. Josephine, como era conhecida, cria firmemente em augúrios e profecias. A primeira previsão de sua de sua futura grandeza e seu fim, tem sido repetida sem que contestação que se tornou um fato irrefutável que justificaria a inabalável crença que ela tinha nos oráculos de Mademoiselle Lenormand, a quem, constantemente, perguntava, entre outras questões, explicações sobre os sonhos de Napoleão e, quando ele planejava qualquer novo empreendimento, a imperatriz não deixava de consultar a sibila sobre os seus resultados. Os desastres das campanha russa, diz-se, foram previstos por Mademoiselle Lenormand e, foi por ela mesmo que Josephine recebeu a primeira indicação do divórcio que se avistava, cuja revelação prematura, infelizmente para a autora, causou-lhe uma entrevista com Fouché, a queme, sendo apresentada, perguntou, em tom jocoso, se a as cartas haviam-lhe informado da prisão que lhe esperava. “Não,” ela respondeu; “Pensei que ter sido chamada aqui para uma consulta e as trouxe comigo;” ao mesmo tempo que as colocava sobre a mesa do chefe de polícia, sem qualquer constrangimento. Sem mencionar o divórcio, Fouchè começou a repreendê-la por muitas das professias que ela tinha, recentemente, proferido e que, apesar da atenção que recebia da imperatriz, tinha sido contrata para estimular as esperanças dos monarquistas em Faubourg St. Germain. Mademoiselle Lenormand continuou a mexer com as cartas, repetindo para si mesma, em voz baixa, “O pajem de paus! De novo, o pajem de paus!” Fouchè continuava a repreendê-la e disse-lhe que, se ela estivesse minimamente interessada, ele estava prestes a enviá-la para prisão onde ela, provavelmente, ficaria por um bom tempo.

“Como sabe disso?” perguntou a profetisa. “Aqui está, mais uma vez, o pajem de paus que me libertará mais cedo do que pensa.”

“Ah! O pajem de paus que levará os crédito por isso, não é?”

“Sim, o pajem de paus representa seu sucessor no cargo, - o Duc de Rovigo.”

A queda de Napoleão trouxe novo crédito e honra para Mademoiselle Lenormand. Ela previu a restauração de Bourbons e teve as recompensas da predição. O Imperador Alexandre visitou-a e consultou-a, e seu antigo patrono, Lousi XVIII, também se valeu de sua ciência e conselhos. Mas, não foram somente os monarcas da Europa que apoiaram essa mulher extraordinária. O Príncipe Talleyrand com todo seu ceticismo e com todo o conhecimento de um homem, Madame de Staël, com todo o seu alardeado talento e sabedoria, ambos foram levados pela ilusão geral.
Foi durante o consulado, que Madame Satël voltou à Paris, após longa ausência, e convenceu-se a fazer uma visita à Rue de Tournon. Durante a conversa, Mademoiselle Lenormad disse, “Você está ansiosa acerca de algum acontecimento que ocorrerá amanhã, mas que do qual terá pouca satisfação.” No dia seguinte, Madame de Staël teria uma audiência com o primeiro cônsul, que sabia muito bem de suas pretensões e que não estava muito disposto a realiza-las. Madame, todavia, estava convencida que o poder de seu intelecto e do encanto de sua fala superariam o preconceito que sabia terem contra cela. A senhora foi recebida no meu de um numeroso círculo e esperava-se que tivesse um efeito brilhante em Napoleão e todos à sua volta. Ao ser apresentada, o cônsul lhe perguntou, abruptamente, “Já viu la pie voleuse, que está tão na moda?”*

*Uma peça que presumimos ser aquela chamada “the Maid and the Magpie”, em inglês.

Surpresa com a pergunta inesperada, Madama Staël hesitou por um momento para responder. “Como dizem” acrescentou, “em breve, também teremos la pie seditieuse.” A segunda observação completou a confusão da senhora e o primeiro cônsul, sem querer aumenta-la virou-se e começou a falar com com convidados mais favorecidos. Depois dessa audiência memorável, Madame Staël lembrou-se de Mademoiselle Lenormand e desse momento em diante teve forte confiança em seus talentos, fazendo-lhe mais visitas posteriores.

A residência da profetisa por quarenta anos era numa esquina, (nº 5, Rue de Tournon) e estava escrito, acima da porta “Mademoiselle Lenormand Libraire”. A profissão de uma profetisa não reconhecida pelo código, ela pegou uma “patente libraire” para receber seus visitantes e exercer a sua vocação sem ofender o chefe de polícia ou seus agentes e sob o título de livreira, seu nome está registrado no almanaque real e nacional. Ao bater na porta do estabelecimento oracular, uma criada aparecia e você entrava num apartamento que não tinha nada de extraordinário. Bem como era a apresentada figura de Mademoiselle Lenormand a qual não era preciso nenhuma forma excessiva de impostura para sustenta-la. Uns trinta ou quarenta livros ficavam em prateleiras na parede, maioritariamente compostos pelas obras da senhora – “Les Souvenirs Prophétiques,” “La Réponse à Mon. Hoffoman, journaliste,””Le Memoirs Historiques”, e cinco ou seis outros, em sua maioria sobre assuntos cabalísticos. Mademoiselle, rapidamente, aparecia – uma mulher baixa, gorda, de rosto corado, ensombreado por cachos abundantes de uma peruca de linho com um turbante meio oriental, o resto de seu vestuário sendo muito o estilo de uma vendedora de manteiga (?) (butter-woman).

“O que gostaria?” ela perguntava ao seu visitante.

“Mademoiselle, Eu vim lhe consultar.”

“Bem, sente-se, que tipos de perguntas gostaria de fazer? Tenho de vários preços, de 6 a dez, vinte ou quatrocentos francos.”

“Gostaria de informações no valor de um louis-d’or.”

“Muito bem, venha até essa mesa, sente-se e me dê sua mão esquerda.” Então, várias perguntas seguiam-se – “Qual a sua idade? Qual a sua flor preferida? Qual animal lhe causa mais repugnância?” Durante as perguntas, ela continuava a embaralhar as cartas e então pedia que as cortasse com a mão esquerda. Ela, então, as colocava na mesa, uma a uma, ao memso tempo que declarava o seu destino futuro com uma volubilidade que tornava difícil acompanhar tudo o que dizia, como se estivesse lendo um livro impresso com grande rapidez. Nessa torrente de palavras, algumas vezes, quase ininteligível, ocasionalmente ocorria de algo tocar, particularmente, seu consulente cuja personalidade, gostos e hábitos ela, muitas vezes, descrevia com precisão, provavelmente, em parte por observação fenológica. Frequentemente, revelava situações notáveis na vida passada do consulente com grande exatidão, ao mesmo tempo que previa eventos futuros que seus consulentes viam realizarem-se. Sobre seus erros, talvez muitos, nada foi ouvido. Sendo justo com a senhora, deve-se salientar, que sua perspicácia natural e poder de observação permitiam-lhe, frequentemente, dar conselhos bastante valiosos para o consulente.

Mademoiselle Lenormand, apesar dos favores que recebia do imperador e de Josephine, era era uma adepta fixa e dedicada do ramo mais velho dos Bourbons; e, depois da revolução de julho, aposentou-se dos seus negócios, ambos em consequência de sua idade e da redução da frequência de seus visitantes, passando a maior parte de seu tempo em Aleçon, onde ela comprou terras e casas e construiu, ela mesma, a residência que chamava “La petite Maison de Socrate”. Evocando a pequena honra que um profeta recebe em sua terra natal, ela recusou-se a exercer sua vocação na sua cidade natal, dizendo que tinha ido à Aleçon para esquecer-se que era uma adivinha e que só tinha calculado horóscopos em Paris.

Não se pode saber o quanto ela, exatamente, acreditava em suas habilidades mas no fato relacionado à morte de seu irmão, ela , decididamente, pareceu acreditar nas revelações que viu nas cartas. Um outro caso foi registrado no qual ela agiu a partir de alguma analogia de onde tirou suas conclusões. No momento da primeira invasão pelos aliados, Mademoiselle Lenormand tinha uma considerável soma em dinheiro e muitos artigos de valor que estava ansiosa para confiar alguém em quem pudesse confiar. A única pessoa disponível ,na época, não lhe era muito conhecida, mas, de momento, não havia mais ninguém que pudesse escolher. “Qual animal”, disse como de costume, “tem mais repugnância?” “Aos ratos”, foi a resposta. “É sinal de bons escrúpulos, observou. “E, qual o seu preferido?” “Oh, prefiro cães mais que qualquer outro.” Mademoiselle deixou a importante carga aos seus cuidados, como se nele pudesse colocar toda a confiança.

A profetisa era, pessoalmente, gorda e feia, mas seus olhos, até mesmo com a idade, preservavam o brilho e a vivacidade e os bons cidadão de Aleçon costumavam dizer, “Que ses yeux flamboyants leur fasaient peur.” Nunca se soube que Mademoiselle Lenormand mostrou qualquer tendência para o casamento, nem nunca se questionou isso, mas ela era bem conhecida por ter grande aversão por crianças pequenas. Além de uma grande propriedade financiada , suas terras e casas em Aleçon, ela tinha uma linda casa na Rue de la Santé, em Paris, um castelo em Poissy, a oito léguas da metrópoles e a uma vasta coleção de boas pinturas, principalmente representando os atos e feitos dos membros da casa dos Bourbon; também, uma vasta coleção de anotações de eventos dos quais foi espectadora ou na qual foi a atriz, todos escritos por seu próprio punho que mais parece um rabisco cabalístico. Ela também tinha cartas e manuscritos confidenciais da maior parte dos soberanos da Europa e que fora, de fato, a maior prova de credulidade do século XIX e uma impostura que , pelo seu longo e contínuo sucesso, tiveram poucos rivais em qualquer era do mundo.

Dos dois filhos de sua irmã, quem adotou após a morte de sua irmã, a filha morreu jovem de tuberculose e o filho é, hoje, um oficial. Na morte de sua tia, ele herdou todos os seus bens.

Wednesday, May 28, 2014


O texto de Luis Du Bois é uma das poucas obras disponíveis sobre Mlle Le Normand que trago para vocês. Como não falo francês, tive a ajuda de uma grande amiga, Teresa Stewart, que, gentilmente, traduziu o texto há alguns anos, numa tarde de domingo, quando eu ainda morava em Portugal. 

Ele é longo e no estilo da época fazendo referência a nomes e situações do seu contexto histórico, o que, por vezes, torna a leitura confusa. Para facilitar a sua compreensão, traduzi algumas partes do capítulo de “A Wicked Pack of Cards” de Roland Decker, Thierry Depaulis e Michael Dummet que fala sobre a vida de Le Normand, no qual os autores comentam sobre a obra e o autor, bem como o contexto em que foi escrito.

Apesar do seu caráter especulativo, sem dar referência aos fatos citados e de atacar, implacavelmente, a cartomante francesa, há informações fidedignas como o uso dos tarôs egípcios de Etteilla e seu baralho de cartas de jogo (petit eteilla) por Mlle Le Nomrand, o que ajuda a desconstruirmos os mitos sobre a criação e utilização do petit lenormad por ela.

“ Embora tenha enchido seus livros com episódios de sua vida e as pessoas com quem encontrou e , embora, muitas obras tenham sido publicadas ao longo de sua carreira – há, pelo menos seis biografias, sem mencionarmos notas em dicionários – não é fácil delinear a vida real de Mlle Le Normand. Muitas de suas afirmações são ilegítimas, muitas de suas biografias são forjadas, reconhecidas ou não. Logo após sua morte em 1843, três livros foram publicados. O primeiro deles, La Sibylle de XIXe siècle, consiste no que pretende ser profecias feitas pela própria Mlle Le Normand, escrito pouco antes de sua morte com um comentário sobre elas e uma pequena biografia da autora; a biografia é anônima.
...
Logo após, em 1843, Francis Girauld, um poeta obscuro, publicou Mademoiselle Le Normand: as biographie, ses prédictions extraordinaires, ao qual ele adicionou uma “introdução filosófica nas ciências ocultas”, apresentando a história da adivinhação, leitura de mãos e cartomancia com os Tarôs Egípcios e o Jogo de Picket ‘como explicado pelas profetisas do século XIX’”. A capa alega que que é a única biografia “oficial”. A introdução e explicação da cartomancia com o Tarô são plagiados de Julia Orsini, Le Grand Etteilla, ou l’art de tirer les cartes, publicados publicados em Lille em 1838, enquanto a biografia é amplamente derivada de La Sibylle du XIXe siècle para os primeiros anos e dos escritos de Mlle Le Normand.

Ainda no mesmo ano, uma voz cética vou erguida por Louis Du Bois um folheto de 20 páginas intitulado De Mademoiselle Lenormand et de ses deux biographies, récemment publiées (Sobre Mlle Lenormand e suas duas biografias recentemente publicadas, Paris 1843). Baseado no livro de Girault, o autor ataca, impiedosamente, a veracidade de Mlle Le Normand e suas afirmações de ter feito profecias acertadas, sem oferecer evidências sólidas. Du Bois, que se denominava bibliotecário da École centrale de l’Órne (i.e. o departamento do qual Aleçon é a capital), abre seu panfleto declarando que Marie-Anne Le Normand não nasceu em 1772, como afirmado tanto por Girault como em La sibylle de XIXe siècle, mas a 16 de setembro de 1768, porém, mais uma vez, sem citar qualquer evidência.”

http://www.bmlisieux.com/normandie/sybille.htm

Sobre Mlle Le Normand e suas duas Biografias, recentemente publicadas.

por Louis Du Bois

~~~

Heu! Valum ignarae mentes! VIRG.

Parece que tudo que toca aos profetas participa da ignorância que Virgilio lhe atribuiu.

Com efeito, M. Querard e, segundo ele, todos os escritores que falaram da Sibila parisiense, incluindo M. Francis Gerault, na sua biografia completa de Mlle Le Normand, única biografia autorizada pela família, todos se enganaram unanimemente sobre a data de nascimento desta famosa pitonisa, sibila, adivinha, feiticeira e para reduzir as coisas sua expressão mais simples e verídica, aquela que tira as cartas ou cartomante.

Digamos a verdade, nós que não somos bruxos, como se verá bem. Marie-Ann Le Normand nasceu em Aleçon, não em 1772, mas a 16 de setembro de 1768. Seu pai, um honesto fabricante de tecidos, deixou, quando morreu, um filho que viria a falecer como militar no início das nossas revoluções e duas filhas, uma delas a jovem (Sophie) casou com M. Hugo, cujo flho, um bravo militar como sei tio e hoje tenente no 11º regimento de linha.

Todas as maravilhas do convento de que Mlle Lenormand falou nas “Souvenirs Prophetiques” são tanto fatos conturbados como são as previsões realizadas tão admiravelmente que lhe atribuem.
A começar por si mesma, ela previu em 1815, nas suas Souvenirs... que viveria 84 lustres e, quase uma olimpíada, em estilo vernacular isso quer dizer cerca de 124 anos. Desde 1815 e ainda recentemente, ela repetia a quem quisesse ouvir que não morreria antes dos 101 anos: o que já era uma longevidade considerável.
Infelizmente, a infiabilidade das jovens e velhas bruxas é, como toda gente, sujeita a variações e más contas. É preciso dizer, chorando, que o mundo só teve a felicidade de possuir a sibila 74 anos, 9 meses e 9 dias! De resto, é normal que existam bruxas que se enganam nos oráculos sobre elas mesmas, da mesma maneira que há médicos, advogados e padres que quando se trata das suas profissões e dentro dos seus negócios, têm medo uns de morrer, outros de perder os processos e os últimos de ir para o inferno, tudo gente sábia, mas pouco seguros do que dizem ou fazem.

Uma vez que a caridade começa por si mesmo é lícito acreditar que, se Mlle Le Noramand cometeu esse enorme erro, para seu prejuízo, não foi por falta de não ter feito a paciência, queimado 3 pelos do rabo de um gato preto, de não ter virado a fechadura, e de mesmo não tendo consultado o coração palpitante de uma galinha preta que, como Caquet-Bom-Bec, antes de suas escapadas, nunca tinha posto um ovo.

Pois bem, depois desta descoberta tão patente, fiem-se nas cartomantes e nas sibilias sejam elas de Tibur, de Cumes ou na rua de Tournon.

Voltemos aos primeiros anos da nossa Pitonisa. Foi enviada pela sua madrasta para uma escola de meninas dirigida pelas Beneditinas - que não pertenciam a uma abadia real, como os biógrafos de Mlle Le Normand nos fazem crer). Mais tarde foi para uma costureira para aprender a ler e a cose, tendo feito pouco progresso, tanto numa arte como em outra. Não foi falta de inteligência ou aptidão mas, antes, por ser muito dispersa e se ocupar mais em ler as cartas e de frivolidades do que de tarefas sérias e úteis.

Ora, nesse tempo, em Aleçon, como aliás, em todas pequenas cidades, as burguesinhas tinham o furor de ler as cartas para tentar encontrar, no futuro, uma bela posição social, uma grande fortuna e, sobretudo, um marido. Como ainda não usavam este velho Balantine, que mais tarde chamaram de Ridículo ou um Saco, era no bolso do avental comum que estas jovens escondiam cuidadosamente a pequena caixa de rapé e junto a ela o seu pequeno jogo de cartas fatídicas.

Assim como todas as outras jovens colegas, Mlle Le Normand descobria, custe o que custar, nas cartas de baralho de Etteilla (anagrama de Alliette)as grandes esperanças que alimentavam grandes projetos e um futuro onde as nuvens clareavam aos raios da mais brilhante ambição.

Não sei se em 1872, Mlle Le Normand que tinha 14 anos, já consultava o seu grimório e sabia fazer a Grande Paciência (mesa real?), mas tenho certeza do que ela a perdia. Aliás, não era num bairro de Aleçon que ela poderia esperar ver realizados os mais altos destinos que pretendia. Precisava de um teatro bem maior.
O seu compatriota Herbert, muito conhecido 7 anos depois pelo nome de Père Duschesne, corrido de Aleçon por alguns cartazes caluniosos, escrevia de Paris dizendo que lá tinha feito uma grande fortuna; o que não era verdade, mas suficiente para fazer crer que era somente necessário ir para a capital para lá colher de mãos cheias o ouro de Potose e os louros de Parnasse.

Para satisfazer os desejos prementes de Mlle Le Normand, colocaram-na numa loja e o seu talento de cartomante demorou muito a ser conhecido para além do balcão.

Foi, somente na época da revolução que o seu talento começou a dar frutos. Quis juntar aos pequenos recursos de suas cartas de Etteilla o produto de suas peças dramáticas; ela compunha melodramas. Infelizmente, ela não tinha adivinhado que mal concebidos, mal conduzidos e mal escritos, eles não poderiam ter sucesso. Desiludida em suas esperanças voltou-se de novo para cartomancia. Na verdade nem é presumível que os homens famosos da Revolução a tenham consultado. O que é verdade é que depois das terríveis calamidades de 1794, a imaginação das pessoas ficou deveras exaltada devido aos reinos destronados, aos reis decapitados, às grandes fortunas perdidas, aos grandes torando-se pequenos e os pequenos torando-se grandes. Esses tempos foram, verdadeiramente, favoráveis à especulações de forma que pouco tempo depois apareceram feiticeiros maiores que a Feiticeira de Aleçon, ocupando o cenário mundial fazendo soar as trombetas da Fama. As Duquesas e os porteiros, as costureiras e os coronéis impacientes e cheios de esperar pela contra-revolução; todos descontentes com o presente e confiantes no futuro, contribuíram para fazer a fortuna da jovem Aleçonesa que deveria tornar-se, ao fim de poucos anos, uma velha feiticeira.

Apesar de alguns problemas coma polícia enraivecida do Consulado e do Império que, a adivinha não tinha adivinhado, foi, então que se instalaram confortavelmente, a cartomancia, a quiromancia, a geomancia e tantas outras artes ocultas de parecida desinência que nos fazem horror só de as pronunciar. Foram, então, intimados a partir das profundezas do inferno, Belzebu, Leviatan e entre outros muitos, Behemoth, incluindo a Pitonisa que tinha o poder de os evocar, mas que não tinha o poder de escrever seus nomes corretamente e que, por isso, cita somente um pequeno número de 7 milhões 405 mil e 926 demônios comandados por 72 príncipes das Trevas que, como se sabe, constituem, no relatório de Jean Wie e Jean Bodin, o óleo negro dos reinos infernais.

A estes métodos pouco confiáveis, a Pitonisa não deixa de lhes juntar a clara de um ovo, a borra do café, se não fossem de Moka seria de chicória, os tarôs, chumbo derretido, pedaços e espelhos quebrados conservando o seu bismuto, a leitura das linhas da mão, etc, etc, etc. Desse modo, o seu sucesso, assim como a seus registros precisos, cresceram rapidamente com a conversão da palavra em oráculos e oráculos no precioso ouro.
Nas suas famosas Souvenirs Prophétiques, cujas biografias encontradas hoje são somente um extrato, Mlle Le Normand teve o cuidado de não dizer se ela ía ao sabbat voando no cabo de uma vassoura. Há dois séculos atrás, teria sido de boa ou má vontade, queimada viva em meio a grandes torturas. No entanto, é difícil acreditar que não tenha devolvido a visita aos demônios que costumavam visita-la. Mesmo assim, a profissão de feiticeira é hoje é bem inocente e minimamente perigosa, o que não quer dizer que não seja lucrativa. Na realidade, uma fortuna de 500.000 fr. Que, com alguma organizaao fim seria muito mais, deixada por essa dama ao seu sobrinho, compunha-se de um capital bem superior ao que centenas de feiticeiras queimadas vivas nos séculos XV, XVI e XVII puderam alguma vez usufruir.

Em 1815, o mais espiritual dos colaboradores do Journal de Debats (Hoffmann) se divertiu muito à conta de Mlle Lenormand, na altura das Souvenirs Prophétiques que ela viria a publicar, esperando o pior para fazer conhecer a Europa e para posteridade, as causas e os segredos de uma de suas detenções a 11 de dezembro de 1809.
Sabemos que grande parte das Mémoirs, mesmo aquelas que são autênticas, não são mãos do que desculpas mais ou menos mentirosas para elevar os grandes talentos do herói, os felizes acontecimentos que teriam trazido, se se tivesse acreditado nele ou nos terríveis males que ele teria prevenido se o tivessem deixado. E bem pior nas Souvenirs Prophétiques, cujo título por si só é um erro.

Essas palavras uivam de medo de se verem juntas
A autora só fala de ilustres personagens que nunca viu, das previsões realizadas que nunca fez, prisões imprevistas que ela devia ter adivinhado e os agentes de polícia triunfantes que ela deveria ter sabido dispensar com todos os demônios que tinha às suas ordens: o que teria furiosamente rebatido os argumentos de Fouchet e de sua polícia.

Há uma justiça que deve ser feita à Mlle Le Nomrand: Não é dado a saber que ela, alguma vez, tivesse abusado do poder que tinha sobre as legiões infernais, pois uma vez que isso lhe teria sido fácil, nunca fixou previamente a data da mais ínfima previsão.
Se a sua faculdade de poder de ler o futuro é posta em causa, a de ler o passado não valia mais em nossa Sibila. O que buscaria ela sobre o que disse do erro de La Harpe e, sobretudo, de Petitot (o editor das suas obras póstumas) sobre uma possível previsão de Cazzote? Ela não ousou, talvez, representa-la como autêntica, ainda mais quando La Harpe escreveu formalmente em baixo desta brincadeira: “Este conjunto de fatos inesquecíveis e monstruosos, eis o prodígio, pois a profecia é, somente, provável”. Por que ela pede ao Mirabilis Liber esta previsão: “O galo cantará e os novos lírios florescerão em Gales”? Nos Souvenirs , ela alega ter feito essa profecia antes de 1814, mas o livro não foi impresso até 1815, tendo sido, evidentemente, feita depois. O autor de Mirabilis Liber que foi impresso por volta de 1500, foi menos prudente que a Sibila Aleçonense. Ele a fez por volta de, no máximo, 1525. Ora, ela nunca se concretizou. O que são esses feiticeiros que fixam uma data certa às suas previsões! Mlle Le Normand nunca fez isso. As suas só foram impressas anos depois de sua realização. É mais seguro.
Digo-o para o consolo daqueles que não têm o grau elevado do talento e do estilo: não é certo que se possa escrever num francês correto e elegante, mesmo dando-se ao diabo, mesmo submeter-se a um tintureiro inspirou as fantasias mais elaboradas: vejam antes Mlle Le Normand e os seus Souvenirs e muitos outros em – 8º nos quais ela justifica o que dela e da sua obra disse o engenhoso literário supracitado: “Uma sibila é superior à razão e ao bom senso.”

E já que estamos especulando sobre a fama da Sibila de Aleçon, recomendamos àqueles elaborarão o Normandana essas frases de Hoffmann: “Semelhante ao barqueiro do Estige, Mlle Le Normand recebia em seu barco o monarca e o gigolô desde que lhe dessem uma moeda. Como a tripla Hécate reina alternativamente no céu, na terra e no inferno, reconhecer-se-á que Mlle Le Normand brilhava no Parnasse, na rua de Tournon e nas Prisões da Polícia da Prefeitura.

Quanto às prisões, ela deveria saber em que dia iria sair: ela diz-nos que (reconsultou suas cartas egípcias divididas em três quadrados em forma triangular; e que ela tinha certeza que seria libertada quando o rei de copas se encontrasse com seu ás e seu 10, acompanhado do ás de espadas e do nove de paus).
Numa das suas detenções que durou apenas 12 dias, sem dúvida, graças ao “gênio Ariel, espírito super celestial muito poderoso”, que às vezes conseguia impor-lhe o silêncio, apesar da sua grande vulnerabilidade que o biógrafo destaca em nossa Sibila. Graças, ainda, ao super celestial Ariel “um desafio incrível lhe foi apresentado em cada dia da sua detenção; 719 selos foram apanhados. Aqueles que os tinham deixado ignoravam que durante algum tempo, o tripé da Pitonisa se encontrava sob a influência do pequeno Leviatan.” Reconheço, com vergonha, que partilhei com tantos outros a ignorância destes 719 espectadores; é verdade que nessa altura não me encontrava em Paris sob o charme do nº5 da rua de Tournon; era uma simples mortal em Aleçon, como era, por vezes, Mlle Le Normand, quando se dignou do seu Olimpo Parisiense a descer aqui e aparecer.

Esperando o “Normandana e mais uma centena de volumes inéditos que deixou, aparecerem duas pequenas brochuras, a primeira tendo como título: A Sibila do Século XIX: Últimas profecias de Mlle Le Normand, e a segunda, sua biografia completa, a única autorizada pela família, etc.

No primeiro desse livretos são lhes atribuídas 43 profecias inéditas, mas que não são, de certeza, da Sibila do Século XIX que, diga-se de passagem, não são melhores nem piores que outras. Desde o Mirabilis Liber, as Centúrias de Nostradamus, as Profecias Perpétuas de Thomas Moult e as outras qye se lêem todos os anos em almanaques, todos esses oráculos se parecem uns com os outros na forma e nenhum deles tem mais valor que o outro.
A segunda obra, única autorizada pela família, não parece mais longa, simplesmente vem dar lugar a mais erros e absurdos. A palavra é dura. Vamos tentar justificar-nos o mais seriamente possível.

Os 1200 francos ganhos na loteria e na viagem à Londres para consultar Gall, que ainda não era conhecido e que não se encontrava na Inglaterra, são fraudes óbvias. Assim, também não é verdade que “Gall tenha cientificamente engendrado Mlle Le Normand”; paternidade bem inocente, mas que não impediu o médico, se tivesse tido a possibilidade e o bom gosto de ficar o que era, no momento da sua morte, o astrônomo Newton e a Feiticeira de Aleçon.

Estão entre os fatos, claramente, falsos:
1º As consultas na masmorra de Vincennes, em 1781, mais tarde, enviaram a Mirabeau, época na qual ela completava apensas 13 anos;
2º Seus inúteis apelos para salvar Mlle de Lamballe, pois de acordo com a sua arte, ela sabia que o assassinato dessa infeliz princesa, seria inevitável;
3º Seus esforços para libertar a Rainha a rainha, sobre o terrível destino do qual ela não poderia ter a menor dúvida;
4º A previsão do envenenamento de Hoche, que nunca foi envenenado;
5º A do Assassinato do Duque de Berri, do qual ela teve tempo de prevenir o governo, uma vez que ela era bourboniense em excesso, e mesmo que não tivesse sido.
6º As uniões com a duquesa de Angoulène que nunca a tinha visto, com Teeylleyrand, que era mais bruxo que ela, com Talma e Mlle Raucourt, que eram mais do ela, grandes atores, com Hoffmann, que a enganou tão habilmente com mais que fazer do que posar para cartomantes e, finalmente, as predições do seu compatriota, o Padre Duschesne, da Imperatriz Josephine, de Luis XVIII, do Imperador Napoleão, do Czar Alexandre, ao generoso Wellington que não o foi em relação à França. A todas estas alegações sem provas nem veracidade, é preciso juntar as doações de Josephine, que qualquer um podia fazer o retrato e falsificar a assinatura: O que de bruxa, nada tem.

Entre os conselhos que Le Normand dava, é de notar o seguinte, que é muito sábio: “Não se deve acreditar no oráculo da Alectromancia e não ser com extrema prudência.” Tenho a certeza que é bem mais prudente não acreditar e ponto final.
“Este oráculo é mais seguro que o de Clachas.”
E, mesmo os da rua de Tournon, mesmo no tempo em que a Pitonisa usou o grande jogo dos setenta e oito tarôs e considerando o Monte de Vênus, que, para que não haja confusão, não é, segundo ela, outra coisa que “a raiz do polegar estendendo-se por baixo até ao pulso.”

Apesar da ciência de que Mlle Lenormand usava, ela cometeu, como vimos, graves erros sobre os fatos que os mais profanos conhecem e que são fáceis de verificar.

Continuemos. No floreal ano II ou maio de 1794 (pois ela marca francamente estas datas), Marat, Robespierr e Saint-Just vieram consulta-la... Ela invocou Marat do fundo dos infernos, pois Mlle de Cordai aí o tinha despachado havia 10 meses a 13 de julho de 1793?

A gravura anunciada como representação da mão esquerda da Imperatriz Josephin era da direita: o que é muito diferente e pode, no caso da quiromancia, expor aos maiores desprezos: assim não queremos perder um instante que seja para prevenir o mundo: o objeto vale a pena. Deixemos o Monde de Vênus de Josephine; falemos do guerreiro que a fez a Imperatriz.

Mlle Le Normand faz crer que o Imperador a consultou em 1807: ela deferia tê-lo impedido de da fazer as suas Folias de Espanha; que naquilo que chamava de suas paradas, ela fazia suas cartas: revelação bem própria a instruir a posteridade que o tinha acreditado estar –se ocupando de coisas completamente diferentes. Logo, assim se vê que ela era Bourboniense demais, pois a ela cabia ter prevenido todas os erros como Aquilon, mais poderosa que a Europa em armas (como diziam em abril de 1814 os nosso amigos inimigos) o conduziram tão rapidamente à sua perda.
Íamos esquecer dizer que Mlle Le Normand tinha a certeza da existência atual desse Duque da Normandia que, entretanto, morreu em 1795 e que, “ela professava muita estima por M. Emile de Girardin”, que para poupar o pudor de sua modéstia, ela somente designa pelas iniciais. Eis o sucesso o menos contestado do redator dA Imprensa.

A sexta-feira era, para nossa Sibila, “o melhor dia para ler as cartas”. Ela tinha uma forte relação que tinha neste dia predileto, com Sixte-Quint, tão infalível como era para o mais ou para o menos. A sexta-feira, dia de Vênus, deveria, aliás, guardar aquela que tanto se ocupou do Monte de Vênus, e aquele que dizia, em termos bem menos enérgicos do que aqueles que aqui usamos, que não havia religiões duradouras a não ser aquelas onde se fazia amor.

“Tal foi (diz M. Francis Girault, o seu biógrafo, único autorizado pela família, mesmo a cometer barbaridades) a vida maravilhosa desta mulher pomposa, chamada Marie-Anne Le Normand”, a qual ele nos disse que gostava, nos últimos anos de fazer viagens à Aleçon onde mal chegava perante o Coq-Hardi do subúrbio Saint Blaise, ela “voltava a ser uma simples mortal”. Vejam a influência do ar natal sobre as feiticeiras de 65 anos; Pitonisa em Paris, mera mortal em Aleçon! Sim, em Aleçon, apesar do grande renome desta pequena cidade, como diz provérbio que não ousamos terminar. Era, portanto, o caso de se debruçar sobre a Alectromancia numa cidade que poder citar, antes dos seus mais honestos cabarés e, sem contar, o respeitável Pot-d’Etain, o hotel confortável do Coq-Hardi.
Mlle Le Normand não deveria ser, portanto, tão feliz em Aleçon como no nº5 da rua de Tournon. Na realidade, eus que seis livros, que os parisienses tiveram a ingratidão de deixar apodrecer os exemplares em seus armários, ela escrevia, talvez, sem rir: “como Minerva, trago sempre o ramo de oliveira e a sabedoria dos meus conselhos fez, frequentemente, inclinar a balança de Themis em favor dos oprimidos.” – “Na América –cupam-se de mim” mesmo em casa dos Hurons, dos Topinambus e os Peles Vermelhas; na África, tenho milhares de afiliados, até, sem dúvida no Congo e Monomotapa”; “na Ásia, a minha maravilhosa cabala serve de bússola nos escritórios”: o que bem provavelmente se tornou tão eficaz na defesa da China e na resistência da Índia; “na Europa pude contar, entre os meus consulentes, tudo o que há de gente de espírito e mérito, corajosos oficiais, personagens recomendáveis por toda Europa?

Terminemos, pois é bem necessário terminar, mesmo com as velhas bruxas, que seja dito, sem desobrigar aquela que só deixou o tripé sagrado aos 74 anos e mais.

Mesmo que o autor Deuteromônio diga nos seus próprios termos: “Ponham à morte o profeta que, depravado pela sua ignorância, quererá elevar a voz”, não puxo o zelo bíblico que em mim é bem moderado, atpe me fazer valer desta paragem cruel: Limito-me a terminar por estas palavras do evangelista Mateus: “Desconfiai dos falsos profetas; com um exterior que seduz, eles são, bem lá no fundo, lobos dispostos a devorá-los”.

#lenormand #lenormando #baralhocigano #cartomancia #tarot #tarô#oráculo #história #adivinhação #ciganos

Monday, May 20, 2013

II Encontro Carioca de Baralho Cigano - Lenormand, simbologia e cultura

Simbologia e cultura será o tema do ECBB desse ano. 

Discutiremos as dimensões simbólicas do baralho, seu diálogo 


com o cotidiano e a cultura afro-brasileira
.
Além disso, divulgaremos e celebraremos o 


Dia do Baralho Lenormand. 

Essa data comemorativa tem sua importância por ser um


 momento de união e celebração, manifestações artísticas,

 reunião e discussão coletiva, promovendo o estudo e 

interação entre pessoas e grupos em todo país e fora.

Em nossa mesa, contaremos com a participação de grandes


 profissionais e estudiosos: Alexsander Lepletier, Chris 

Wolf e Cris Mendonça e ainda teremos uma convidada

 especial, Socorro Van Aerts, diretamente de Amsterdam.

Espero vocês, lá!

ALEXSANDER LEPLETIER    CHRIS WOLF    CRIS MENDONÇA

II ENCONTRO CARIOCA

DE BARALHO CIGANO

LENORMAND, SIMBOLOGIA E CULTURA

18 DE JUNHO      19h

Universidade Cândido Mendes – Ipanema
Rua Joana Angélica, 63 – Ipanema  - Auditório
Petronio Portella – 6º Andar

PROGRAMAÇÃO

19h Alexsander Lepletier
Lenormando no rio, cartas na cidade–
O baralho cigano, o cotidiano e a cidade maravilhosa

19:45 Chris Wolf
Baralho Lenormand
 Ampliando horizontes com os Símbolos

20h30 Chris Wolf e Socorro Van Aerts
25 de junho
 O dia do Baralho Lenormand

21h15 Cris Mendonça
As Cartas Ciganas e os Orixás


Evento gratuito 
Inscrição necessária 
data limite:
15/06

Para inscrever-se basta acessar:



Organização e produção:
Alexsander Lepletier 
www.lenormando.blogspot.com

Chris Wolf
www.eye.of.peregrine.blogspot.com
www.journee-lenormand.blogspot.com

Arte:
Lenoardo Chioda
www.cafetarot.com.br



Saturday, April 20, 2013

MÉTODO LEPLETIER DE RELACIONAMENTOS


Foi há mais ou menos 9 anos, quando trabalhava na Feira Esotérica Anjos e Cia, em Portugal, que eu e Maria del Mar, uma amiga querida, estudávamos novas formas de abordagem da questão afetiva nas consultas por acharmos os métodos disponíveis insuficientes e incompletos para a complexidade das questões colocadas a nós pelos consulentes e a intensidade com a qual esse campo da vida é vivido.
Queríamos algo abrangente, que descrevesse de forma detalhada as relações afetivas e que fosse versátil, podendo ser usado para analisar qualquer tipo de relação: desde uma amizade até uma sociedade e mesmo a sua relação com seu pior inimigo!
 
Depois de estudarmos vários métodos decidimos que o que melhor serviria de base para a construção do que pretendíamos seria o dos Relacionamentos, de Hajo Banzhaf, em seu Manual do Tarot, devido à forma de disposição das casas que representam duas pessoas interagindo.



Mar desenvolveu a sua variante e eu a minha e ao analisar o método, o primeiro ponto que percebi deficiente foi a falta de uma casa que descrevesse a atitude de um para o outro, como tratavam o parceiro, a sua forma de expressão e contato, o que exteriorizavam, pois antes do sexo acontecer vive-se isso. Mesmo o sexo rápido, casual, experimenta uma troca de olhares e alguma forma de comunicação, podendo ser até ser gestual, que dá o sinal verde ou vermelho para que as coisas aconteçam ou não. E mesmo o sexo em si, apesar de se um dos pilares de uma relação, não descreve a convivência do casal. Podemos ter um sexo maravilhoso com nosso parceiro, amá-lo profundamente, mas não convivermos bem com ele.

Pensando dessa forma substituí a casa que representa o sexo pela casa que descreve a ATITUDE que se tem com o parceiro. Assim teremos base para avaliar com profundidade cada parte analisada como veremos na descrição completa do método mais a frente.

Outra inovação foi  redefinir a carta da Síntese pelo “PRESENTE”,que mantém o seu sentido de síntese mas ganha um caráter temporal indicando a qualidade da interação do casal no momento. Para construir uma linha temporal, estendendo a visão da relação para as suas origens e o seu futuro, acrescentei as casas de “PASSADO” e “FUTURO”. Assim podemos observar a evolução temporal da relação.

Ao lado de cada agrupamento que representa as pessoas envolvidas, acrescentei uma carta que representa os “FATORES EXTERNOS” para entendermos como as situações da vida de cada um interferem na relação. 

Assim temos um método que traz uma análise completa de ambas as partes isoladamente e sua interação; como são afetados pelo meio e seu desenvolvimento temporal. 

Como podem ver, podemos analisar qualquer tipo de relação de forma detalhada e profunda.



Mas ...  E O SEXO?

Bem, quando estivermos falando de um envolvimento afetivo, onde há contato íntimo ou a promessa do mesmo, colocamos uma carta ao lado da casa “ATITUDE” que representará o “SEXO”, por essa ser a via de contato. Ela não foi descartada, apenas é usada somente quando necessário.
Então o método aprimorou-se ...





Vejamos agora uma descrição mais detalhada e ilustrada do método seguida de um exemplo:




Casas 1  e 2 – : Elas descrevem o aspecto mental mostrando como cada um vê a relação, como cada um vê o outro, o que tencionam e planejam, o que percebem.

Casas 3 e 4 - Descrevem os sentimentos. O que cada um sente pelo outro, seu nível intensidade e abertura, a capacidade de entrega, o prazer e como o outro o preenche.

Caso estejamos analisando uma sociedade essa casa vai mostrar o grau de satisfação e entrosamento com o sócio. Se é prazeroso trabalhar com ele, o nível de realização pessoal em relação ao negócio (ou qualquer outro tipo de acordo) e as motivações. No caso das amizades e relacionamentos pessoais ou parentais, mantêm-se os signifcados acima.

Casas 5 e 6 -  Aqui temos as casas da “ATITUDE”, ou seja, como eu lido com meu parceiro? Como eu o trato? Como me expresso? Como chego até ele e o toco? Como me coloco na relação?


Essa é a casa Yang extrovertida, que se expressa, e as duas anteriores são Yin, introvertidas, somente percebidas indiretamente. As casas de atitude são a via de escoamento e expressão dos conteúdos casas anteriores, que fazem parte do interior de cada um e não percebidos diretamente. 

Se tivermos CAIXÃO na casa dos Sentimentos, como no exemplo 1, e um BOUQUET nas casas de Atitude, então podemos perceber que apesar de todo esse carinho e atitude afetuosa, elogios e demonstrações de afeto, desse discurso valorizador das qualidades e do exaltar da beleza, da atitude romântica com belos passeios e o cuidado e esmero para se dar o melhor, existe um esgotamento desse sentimento, uma ausência de prazer e uma sensação de fim. Não há amor e o melhor disso tudo será, em tese, sentido somente por quem recebe, ou seja, o parceiro. Essa atitude galanteadora e apaixonada é uma forma de se esconder fim do amor ou a fuga da dor.

Eu considero essas, as casas mais importantes do jogo por serem a via de troca, por onde os vínculos se estabelecem e por onde podemos ter uma ideia de sua qualidade e saúde, e também, por onde a relação se realiza e realmente acontece. Um bloqueio grande aqui compromete todo o resto. Veja nos outros dois exemplos como elas podem afetar a qualidade da relação:

No exemplo 2, uma consulente com o CORAÇÃO no Sentimento e a FOICE na Atitude. De que adianta todo esse amor se ela não o expressa, o esconde, age de forma fria e ríspida, interrompendo qualquer expressão de afeto e afastando o parceiro de forma dolorosa, fria e incisiva? Isso torna impossível a concretização da relação ou a vivência plena e satisfatória dela, comprometendo sua continuidade, caso exista. 

E, de forma inversa, no exemplo 3, outra consulente com os CAMINHOS no Sentimento e a CASA na Atitude. Um coração desligado, solto, com os sentimentos dispersos, gostando e não gostando, simultaneamente, sem vínculos reais agindo de forma afetuosa, acolhedora, receptiva e provedora, criando um clima de amor e integração perfeito para algo mais sério. A atitude é incoerente com o os desejos e sentimentos, o que tende a criar muitos problemas futuros. 

Bem essas são apenas análises parciais apresentadas para podermos perceber a importância e o funcionamento das casas e sua interação.

7 e 8 Casas dos Fatores Externos – Elas descrevem como a vida de cada indivíduo e tudo que ela contém afeta a relação. O que cada um traz consigo e como isso influenciará o seu comportamento individual e afetará o desenvolvimento e a vivência da união.

 9 Casa do Passado – A síntese da relação num passado próximo ou a sua origem. De onde eles vêm.

10 Casa do Presente – A síntese da relação hoje. Como ela está? Como é vivida? Qual o produto da interação dos parceiros e de seus fatores externos?

11 Casa do Futuro – Quais as perspectivas da relação nos próximos meses(ou o tempo que for convencionado). Para onde vão.


 
12 e 13 Casas do Sexo – Meu tesão pelo parceiro, minha atitude no sexo, meu nível de abertura e satisfação física. Como se tocam intimamente.

 Vamos agora analisar um exemplo:

 Análise da Relação de André e Lívia.


Antes, vamos responder a uma pergunta que todos fazem: Por onde começar a leitura?

Bem, eu começo, a maioria das vezes, pelo presente e então passo para a análise do consulente e a seguir, o parceiro. Depois vejo o passado e então o futuro, mas isso não é uma regra. Começamos qualquer leitura a partir de onde estiver mais claro e nos chamar mais atenção. Umas vezes será o presente, outras os fatores externos do consulente, outra o passado. O que importa é a leitura fluir, por isso, fique à vontade!

Comecemos, então, pelo presente que é representado pelo SOL. A relação encontra-se numa fase alegre e intensa, vivificando-se a cada dia, indicando que, independente de qualquer que seja o sentimento no coração do casal, a união beneficia ambos, proporcionando alegria e conforto. Associando a carta ao sentimento de cada um dos parceiros vemos o CAIXÃO e o SOL para André e o NAVIO e o SOL para Lívia. A direção que a leitura deve obedecer é do consulente e seu parceiro para síntese, nessa ordem, pois ela é o produto da sua união dos dois sendo, portanto para onde ambos se direcionam.

No caso de André, do CAIXÃO para o SOL, ou seja, da morte para a vida. Ambos os símbolos têm algo incomum: o fim. O CAIXÃO finda, mata para que a vida continue, esvazia para se preencher, envelhece para se renovar; o SOL põem-se para nascer, morre para viver. Configura-se a COMBINAÇÃO DA FÊNIX. Essa relação simbólica indica que a união se apresenta como uma oportunidade do consulente mudar sua vida, curar e revitalizar seu esvaziado coração. A oportunidade existe, é um fato, porém ele ainda se encontra vivendo a perda e sem um luto concluído. 

No caso de Lívia, o NAVIO caminha em direção ao SOL navegando em mares calmos e águas paradisíacas numa viagem calma e feliz, enchendo seu coração de satisfação e da sensação que caminha na direção certa, com segurança, independente de eventuais problemas que possam surgir. Sente a relação como uma prazerosa oportunidade de troca afetiva e como algo que a faz ir além, rompendo bloqueios afetivos de forma espontânea e natural plenificando o sentimento e potencializando a capacidade de troca afetiva e de vida. Com o NAVIO, transpomos fronteiras, portanto a conexão que ele descreve vai além do desejo. De acordo com o presente, a relação é promissora para ambos. O SOL derrama sua luz sobre o casal mostrando o que deve ser visto, colocando tudo às claras, dando a oportunidade de se conhecerem realmente.

Após uma visão geral do presente, vamos conhecer como o consulente e sua namorada se encontram-se em relação um ao outro.

André, o consulente:

O CORAÇÃO na casa 1, revela que André vê Lívia como um grande amor, como uma fonte de sentimentos, de carinho e afeto. Um ideal romântico é percebido ou projetado na parceira. Seus gestos tocam-lhe e ganham um sentido especial no contexto relacional. Para André, Lívia preenche sua vida com coisas boas e faz com que ele consiga perceber um colorido especial no mundo. Para ele é como se Lívia fizesse as coisas certas, na hora certa, agindo com leveza e pensando nos dois. Ela é vista com um brilho que a faz especial. Note-se que o coração está numa casa da mente, sendo um indicativo de que os sentimentos afetam o pensamento e os julgamentos. Bom ou ruim? O contexto é que define! 

O CAIXÃO na casa 3 representa os sentimentos de André por Lívia. Apesar de ter uma visão romântica de Lívia e de isso, possivelmente o agradar, o coração de André  tem uma ferida e é tomado por um vazio, como se algo morto estivesse, em processo de decomposição. Forte, não é? Pois é, assim é CAIXÃO. Possivelmente, o consulente ainda tem alguma questão pendente que se encontra num processo de finalização. Um luto que ainda não terminou. O sentimento por Lívia ainda não nasceu. Só nascerá após a morte e o trauma desse outro se concluir. Como vimos que o produto da união é o SOL e que combinado com o CAIXÃO  temos a combinação da Fênix, que promete um renascimento e uma renovação, aliado à sintonia que acontece entre eles e um futuro promissor descrito pelo BOUQUET na casa 11, o futuro, é bem provável que o esse luto seja concluído e o amor nasça em seu coração.

As suas atitudes com a namorada são descritas pelo TREVO, na casa 5. A carta da sorte, e da oportunidade indica que ele se permite viver esse amor e age de forma simples, mas significativa com Lívia, sem extravagâncias nem exageros, sendo doce e carinhoso, levando-a para ver um pôr-do-sol na praia num dia, levando-lhe uma rosa no outro, talvez. No trevo tudo é simples, mas significativo e com ele sempre estamos abertos às oportunidades, por isso existe um esforço da parte do André para que o amor aconteça. E é nesse movimento que a magia e a sorte se manifestam quando falamos do TREVO.

A carta que se encontra na posição 7, mostra o que André traz consigo para essa relação. Nesse caso, com OS CAMINHOS, o consulente traz a necessidade de fazer escolhas, ele traz “caminhos alternativos”, que querem dizer, nesse contexto que há alguma situação paralela que se encontra com a atual (a encruzilhada), exigindo uma posição e escolhas a serem feitas. Fora isso, um mundo de novas possibilidades e desimpedimentos a partir das escolhas tomadas.

A posição 12, o sexo, mostra André ainda tímido e fechado nesse campo. A carta do LIVRO, cujos atributos são o segredo, o mistério, conhecimento profundo e linguagens codificadas prejudica a performance sexual e a conexão nesse nível por não ser uma carta de abertura e revelar couraças protetores  a necessidade de ser descoberto e ativado. Lívia precisará de algum tempo para que André consiga se abrir e dar-se plenamente nesse campo. Talvez isso se explique pelas situações que viveu, descritas acima. O bom é que existe uma forte conexão entre eles e um movimento por parte de ambos de se integrarem nessa relação sinalizando que esse bloqueio logo será superado. Se o livro precisa que se consiga entender sua linguagem para ser compreendido, já vimos que Lívia conhece bem André e sabe como ele funciona.

Lívia, a namorada:

A casa dois contém a carta 4, A CASA. Lívia demonstra conhecer André intimamente, sendo as necessidades e atitudes do namorado algo familiar a si. Enxerga nele segurança e proteção, cumplicidade e carinho. Vê em André, alguém com quem quer formar uma família, talvez pense em viverem juntos e a convivência diária com seu amor é um pensamento constante em suas ideias. Para ela a relação tem bases sólidas e a promessa de longevidade e fortalecimento com o tempo. 

Os sentimentos de Lívia são representados pela carta 3, O NAVIO indicando que seu coração é preenchido por uma sensação de plenitude que a motiva a ir além de si mesma, que faz entender que essa relação é mais do que mera paixão e que uma forte troca de vida em seus sentido mais amplo é estabelecida. O amor por André a faz superar seus bloqueios e motiva-a em sua vida a fazer o que precisa lembrando sempre que investir em si é investir na rica troca que existe entre eles fortalecendo seus vínculos e a relação. Analisando a posição do sentimento com o pensamento, vemos uma pessoa madura e preparada para uma relação.

Aqui, na casa 6, onde é descrita a atitude do consulente, vemos furtiva carta 23, OS RATOS que se mostra incoerente em relação ao que vimos anteriormente. Lívia agen de forma escapista, esquiva e tentando se esconder, dando muito menos do que realmente sente e demonstrando seus sentimentos em doses homeopáticas e de forma discreta, quase escondida, esperando mais de André do que ele mesmo dá. Esse comportamento poderia comprometer a relação se André não tivesse uma percepção mais romantizada. O que lhe favorece é que o namorado a vê para além das ações e acredita nesse amor que percebe nela.

A casa 8, traz a MONTANHA, que revela uma vida com limitações e bloqueios. Situações ou pessoas comprometem a liberdade pessoal e livre expressão de Líva, sendo, possivelmente, responsáveis pelas suas ações tão tímidas e silenciosas. Como a carta 21 traz uma ideia de bloqueios de difícil transposição por serem parte significativa do que se vive, é provável que essas restrições ou julgo sejam parte de sua vida pessoal estando presentes no contexto familiar, geográfico ou socioeconômico. Como o NAVIO é carta que supera os obstáculos da montanha por representar o cruzar das fronteiras e o ir além, é o seu sentimento que poderá libertá-la dessa condição angustiante e ela enxerga em André e no amor verdadeiro que sente por ele, uma forma de libertação. Como a sua carta de expressão é o RATO, dificilmente Na André deva ter ciência dessa parte problemática da vida de sua namorada.

A carta das ESTRELAS, na 14ª posição, diz que Lívia no sexo com André a química vai além do corpo, como se fosse uma oportunidade conexão de almas, proporcionando-lhe prazer num nível mais elevado e uma sensação de satisfação plena.
A casa do passado da relação é de domínio do LÍRIO, a carta da anunciação e da eleição dizendo que eles reconheceram algo especial um no outro, que tinham um papel especial nas suas respectivas vidas, que  sua união lhes trazia calma, paz e sentido. Essa pode ser uma pista para a capacidade de superação das dificuldades da relação de ambos e pela visão tão romântica e otimista da relação, bem como a abertura que têm um com o outro.

O futuro é coroado com a carta do BOUQUET. O presente que nada mais é do que um gento e que traz um objeto representando um carinho, um sentimento verdadeiro. Nele reúnem-se as múltiplas cores de diversas espécies de flores e ramagens, cada uma com seu tom, oferecendo o seu melhor e acrescentando com o que tem de melhor, compondo assim a beleza e a harmonia da peça. A unidade na diversidade, as diferenças acrescentam e muito mais é o que os une do que o que os separa. Um futuro de alegria e união os aguarda revelados pelos melhores auspícios. Obstáculos serão superados, declarações feitas e o amor será vivido de forma objetiva, tangível, real. O período que se segue marcará suas vidas pela positiva através da vivência de momentos mágicos e felizes.

É interessante notar a linha do tempo do jogo - PASSADO-PRESENTE-FUTURO.

Nela temos o LÍRIO, o SOL e o BOUQUET. A combinação lembra a passagem da luz por um prisma, onde o branco revela suas múltiplas cores num lindo arco-íris. Isso sugere um desabrochar da vida de casa um, uma união que evidenciará os potenciais latentes de cada um e onde suas diferenças servirão como reforço do sentimento e alicerce para a relação.

Espero que tenham gostado e que o método apresentado lhes seja útil.

O método pode ser aplicado à: