Saturday, April 20, 2013

MÉTODO LEPLETIER DE RELACIONAMENTOS


Foi há mais ou menos 9 anos, quando trabalhava na Feira Esotérica Anjos e Cia, em Portugal, que eu e Maria del Mar, uma amiga querida, estudávamos novas formas de abordagem da questão afetiva nas consultas por acharmos os métodos disponíveis insuficientes e incompletos para a complexidade das questões colocadas a nós pelos consulentes e a intensidade com a qual esse campo da vida é vivido.
Queríamos algo abrangente, que descrevesse de forma detalhada as relações afetivas e que fosse versátil, podendo ser usado para analisar qualquer tipo de relação: desde uma amizade até uma sociedade e mesmo a sua relação com seu pior inimigo!
 
Depois de estudarmos vários métodos decidimos que o que melhor serviria de base para a construção do que pretendíamos seria o dos Relacionamentos, de Hajo Banzhaf, em seu Manual do Tarot, devido à forma de disposição das casas que representam duas pessoas interagindo.



Mar desenvolveu a sua variante e eu a minha e ao analisar o método, o primeiro ponto que percebi deficiente foi a falta de uma casa que descrevesse a atitude de um para o outro, como tratavam o parceiro, a sua forma de expressão e contato, o que exteriorizavam, pois antes do sexo acontecer vive-se isso. Mesmo o sexo rápido, casual, experimenta uma troca de olhares e alguma forma de comunicação, podendo ser até ser gestual, que dá o sinal verde ou vermelho para que as coisas aconteçam ou não. E mesmo o sexo em si, apesar de se um dos pilares de uma relação, não descreve a convivência do casal. Podemos ter um sexo maravilhoso com nosso parceiro, amá-lo profundamente, mas não convivermos bem com ele.

Pensando dessa forma substituí a casa que representa o sexo pela casa que descreve a ATITUDE que se tem com o parceiro. Assim teremos base para avaliar com profundidade cada parte analisada como veremos na descrição completa do método mais a frente.

Outra inovação foi  redefinir a carta da Síntese pelo “PRESENTE”,que mantém o seu sentido de síntese mas ganha um caráter temporal indicando a qualidade da interação do casal no momento. Para construir uma linha temporal, estendendo a visão da relação para as suas origens e o seu futuro, acrescentei as casas de “PASSADO” e “FUTURO”. Assim podemos observar a evolução temporal da relação.

Ao lado de cada agrupamento que representa as pessoas envolvidas, acrescentei uma carta que representa os “FATORES EXTERNOS” para entendermos como as situações da vida de cada um interferem na relação. 

Assim temos um método que traz uma análise completa de ambas as partes isoladamente e sua interação; como são afetados pelo meio e seu desenvolvimento temporal. 

Como podem ver, podemos analisar qualquer tipo de relação de forma detalhada e profunda.



Mas ...  E O SEXO?

Bem, quando estivermos falando de um envolvimento afetivo, onde há contato íntimo ou a promessa do mesmo, colocamos uma carta ao lado da casa “ATITUDE” que representará o “SEXO”, por essa ser a via de contato. Ela não foi descartada, apenas é usada somente quando necessário.
Então o método aprimorou-se ...





Vejamos agora uma descrição mais detalhada e ilustrada do método seguida de um exemplo:




Casas 1  e 2 – : Elas descrevem o aspecto mental mostrando como cada um vê a relação, como cada um vê o outro, o que tencionam e planejam, o que percebem.

Casas 3 e 4 - Descrevem os sentimentos. O que cada um sente pelo outro, seu nível intensidade e abertura, a capacidade de entrega, o prazer e como o outro o preenche.

Caso estejamos analisando uma sociedade essa casa vai mostrar o grau de satisfação e entrosamento com o sócio. Se é prazeroso trabalhar com ele, o nível de realização pessoal em relação ao negócio (ou qualquer outro tipo de acordo) e as motivações. No caso das amizades e relacionamentos pessoais ou parentais, mantêm-se os signifcados acima.

Casas 5 e 6 -  Aqui temos as casas da “ATITUDE”, ou seja, como eu lido com meu parceiro? Como eu o trato? Como me expresso? Como chego até ele e o toco? Como me coloco na relação?


Essa é a casa Yang extrovertida, que se expressa, e as duas anteriores são Yin, introvertidas, somente percebidas indiretamente. As casas de atitude são a via de escoamento e expressão dos conteúdos casas anteriores, que fazem parte do interior de cada um e não percebidos diretamente. 

Se tivermos CAIXÃO na casa dos Sentimentos, como no exemplo 1, e um BOUQUET nas casas de Atitude, então podemos perceber que apesar de todo esse carinho e atitude afetuosa, elogios e demonstrações de afeto, desse discurso valorizador das qualidades e do exaltar da beleza, da atitude romântica com belos passeios e o cuidado e esmero para se dar o melhor, existe um esgotamento desse sentimento, uma ausência de prazer e uma sensação de fim. Não há amor e o melhor disso tudo será, em tese, sentido somente por quem recebe, ou seja, o parceiro. Essa atitude galanteadora e apaixonada é uma forma de se esconder fim do amor ou a fuga da dor.

Eu considero essas, as casas mais importantes do jogo por serem a via de troca, por onde os vínculos se estabelecem e por onde podemos ter uma ideia de sua qualidade e saúde, e também, por onde a relação se realiza e realmente acontece. Um bloqueio grande aqui compromete todo o resto. Veja nos outros dois exemplos como elas podem afetar a qualidade da relação:

No exemplo 2, uma consulente com o CORAÇÃO no Sentimento e a FOICE na Atitude. De que adianta todo esse amor se ela não o expressa, o esconde, age de forma fria e ríspida, interrompendo qualquer expressão de afeto e afastando o parceiro de forma dolorosa, fria e incisiva? Isso torna impossível a concretização da relação ou a vivência plena e satisfatória dela, comprometendo sua continuidade, caso exista. 

E, de forma inversa, no exemplo 3, outra consulente com os CAMINHOS no Sentimento e a CASA na Atitude. Um coração desligado, solto, com os sentimentos dispersos, gostando e não gostando, simultaneamente, sem vínculos reais agindo de forma afetuosa, acolhedora, receptiva e provedora, criando um clima de amor e integração perfeito para algo mais sério. A atitude é incoerente com o os desejos e sentimentos, o que tende a criar muitos problemas futuros. 

Bem essas são apenas análises parciais apresentadas para podermos perceber a importância e o funcionamento das casas e sua interação.

7 e 8 Casas dos Fatores Externos – Elas descrevem como a vida de cada indivíduo e tudo que ela contém afeta a relação. O que cada um traz consigo e como isso influenciará o seu comportamento individual e afetará o desenvolvimento e a vivência da união.

 9 Casa do Passado – A síntese da relação num passado próximo ou a sua origem. De onde eles vêm.

10 Casa do Presente – A síntese da relação hoje. Como ela está? Como é vivida? Qual o produto da interação dos parceiros e de seus fatores externos?

11 Casa do Futuro – Quais as perspectivas da relação nos próximos meses(ou o tempo que for convencionado). Para onde vão.


 
12 e 13 Casas do Sexo – Meu tesão pelo parceiro, minha atitude no sexo, meu nível de abertura e satisfação física. Como se tocam intimamente.

 Vamos agora analisar um exemplo:

 Análise da Relação de André e Lívia.


Antes, vamos responder a uma pergunta que todos fazem: Por onde começar a leitura?

Bem, eu começo, a maioria das vezes, pelo presente e então passo para a análise do consulente e a seguir, o parceiro. Depois vejo o passado e então o futuro, mas isso não é uma regra. Começamos qualquer leitura a partir de onde estiver mais claro e nos chamar mais atenção. Umas vezes será o presente, outras os fatores externos do consulente, outra o passado. O que importa é a leitura fluir, por isso, fique à vontade!

Comecemos, então, pelo presente que é representado pelo SOL. A relação encontra-se numa fase alegre e intensa, vivificando-se a cada dia, indicando que, independente de qualquer que seja o sentimento no coração do casal, a união beneficia ambos, proporcionando alegria e conforto. Associando a carta ao sentimento de cada um dos parceiros vemos o CAIXÃO e o SOL para André e o NAVIO e o SOL para Lívia. A direção que a leitura deve obedecer é do consulente e seu parceiro para síntese, nessa ordem, pois ela é o produto da sua união dos dois sendo, portanto para onde ambos se direcionam.

No caso de André, do CAIXÃO para o SOL, ou seja, da morte para a vida. Ambos os símbolos têm algo incomum: o fim. O CAIXÃO finda, mata para que a vida continue, esvazia para se preencher, envelhece para se renovar; o SOL põem-se para nascer, morre para viver. Configura-se a COMBINAÇÃO DA FÊNIX. Essa relação simbólica indica que a união se apresenta como uma oportunidade do consulente mudar sua vida, curar e revitalizar seu esvaziado coração. A oportunidade existe, é um fato, porém ele ainda se encontra vivendo a perda e sem um luto concluído. 

No caso de Lívia, o NAVIO caminha em direção ao SOL navegando em mares calmos e águas paradisíacas numa viagem calma e feliz, enchendo seu coração de satisfação e da sensação que caminha na direção certa, com segurança, independente de eventuais problemas que possam surgir. Sente a relação como uma prazerosa oportunidade de troca afetiva e como algo que a faz ir além, rompendo bloqueios afetivos de forma espontânea e natural plenificando o sentimento e potencializando a capacidade de troca afetiva e de vida. Com o NAVIO, transpomos fronteiras, portanto a conexão que ele descreve vai além do desejo. De acordo com o presente, a relação é promissora para ambos. O SOL derrama sua luz sobre o casal mostrando o que deve ser visto, colocando tudo às claras, dando a oportunidade de se conhecerem realmente.

Após uma visão geral do presente, vamos conhecer como o consulente e sua namorada se encontram-se em relação um ao outro.

André, o consulente:

O CORAÇÃO na casa 1, revela que André vê Lívia como um grande amor, como uma fonte de sentimentos, de carinho e afeto. Um ideal romântico é percebido ou projetado na parceira. Seus gestos tocam-lhe e ganham um sentido especial no contexto relacional. Para André, Lívia preenche sua vida com coisas boas e faz com que ele consiga perceber um colorido especial no mundo. Para ele é como se Lívia fizesse as coisas certas, na hora certa, agindo com leveza e pensando nos dois. Ela é vista com um brilho que a faz especial. Note-se que o coração está numa casa da mente, sendo um indicativo de que os sentimentos afetam o pensamento e os julgamentos. Bom ou ruim? O contexto é que define! 

O CAIXÃO na casa 3 representa os sentimentos de André por Lívia. Apesar de ter uma visão romântica de Lívia e de isso, possivelmente o agradar, o coração de André  tem uma ferida e é tomado por um vazio, como se algo morto estivesse, em processo de decomposição. Forte, não é? Pois é, assim é CAIXÃO. Possivelmente, o consulente ainda tem alguma questão pendente que se encontra num processo de finalização. Um luto que ainda não terminou. O sentimento por Lívia ainda não nasceu. Só nascerá após a morte e o trauma desse outro se concluir. Como vimos que o produto da união é o SOL e que combinado com o CAIXÃO  temos a combinação da Fênix, que promete um renascimento e uma renovação, aliado à sintonia que acontece entre eles e um futuro promissor descrito pelo BOUQUET na casa 11, o futuro, é bem provável que o esse luto seja concluído e o amor nasça em seu coração.

As suas atitudes com a namorada são descritas pelo TREVO, na casa 5. A carta da sorte, e da oportunidade indica que ele se permite viver esse amor e age de forma simples, mas significativa com Lívia, sem extravagâncias nem exageros, sendo doce e carinhoso, levando-a para ver um pôr-do-sol na praia num dia, levando-lhe uma rosa no outro, talvez. No trevo tudo é simples, mas significativo e com ele sempre estamos abertos às oportunidades, por isso existe um esforço da parte do André para que o amor aconteça. E é nesse movimento que a magia e a sorte se manifestam quando falamos do TREVO.

A carta que se encontra na posição 7, mostra o que André traz consigo para essa relação. Nesse caso, com OS CAMINHOS, o consulente traz a necessidade de fazer escolhas, ele traz “caminhos alternativos”, que querem dizer, nesse contexto que há alguma situação paralela que se encontra com a atual (a encruzilhada), exigindo uma posição e escolhas a serem feitas. Fora isso, um mundo de novas possibilidades e desimpedimentos a partir das escolhas tomadas.

A posição 12, o sexo, mostra André ainda tímido e fechado nesse campo. A carta do LIVRO, cujos atributos são o segredo, o mistério, conhecimento profundo e linguagens codificadas prejudica a performance sexual e a conexão nesse nível por não ser uma carta de abertura e revelar couraças protetores  a necessidade de ser descoberto e ativado. Lívia precisará de algum tempo para que André consiga se abrir e dar-se plenamente nesse campo. Talvez isso se explique pelas situações que viveu, descritas acima. O bom é que existe uma forte conexão entre eles e um movimento por parte de ambos de se integrarem nessa relação sinalizando que esse bloqueio logo será superado. Se o livro precisa que se consiga entender sua linguagem para ser compreendido, já vimos que Lívia conhece bem André e sabe como ele funciona.

Lívia, a namorada:

A casa dois contém a carta 4, A CASA. Lívia demonstra conhecer André intimamente, sendo as necessidades e atitudes do namorado algo familiar a si. Enxerga nele segurança e proteção, cumplicidade e carinho. Vê em André, alguém com quem quer formar uma família, talvez pense em viverem juntos e a convivência diária com seu amor é um pensamento constante em suas ideias. Para ela a relação tem bases sólidas e a promessa de longevidade e fortalecimento com o tempo. 

Os sentimentos de Lívia são representados pela carta 3, O NAVIO indicando que seu coração é preenchido por uma sensação de plenitude que a motiva a ir além de si mesma, que faz entender que essa relação é mais do que mera paixão e que uma forte troca de vida em seus sentido mais amplo é estabelecida. O amor por André a faz superar seus bloqueios e motiva-a em sua vida a fazer o que precisa lembrando sempre que investir em si é investir na rica troca que existe entre eles fortalecendo seus vínculos e a relação. Analisando a posição do sentimento com o pensamento, vemos uma pessoa madura e preparada para uma relação.

Aqui, na casa 6, onde é descrita a atitude do consulente, vemos furtiva carta 23, OS RATOS que se mostra incoerente em relação ao que vimos anteriormente. Lívia agen de forma escapista, esquiva e tentando se esconder, dando muito menos do que realmente sente e demonstrando seus sentimentos em doses homeopáticas e de forma discreta, quase escondida, esperando mais de André do que ele mesmo dá. Esse comportamento poderia comprometer a relação se André não tivesse uma percepção mais romantizada. O que lhe favorece é que o namorado a vê para além das ações e acredita nesse amor que percebe nela.

A casa 8, traz a MONTANHA, que revela uma vida com limitações e bloqueios. Situações ou pessoas comprometem a liberdade pessoal e livre expressão de Líva, sendo, possivelmente, responsáveis pelas suas ações tão tímidas e silenciosas. Como a carta 21 traz uma ideia de bloqueios de difícil transposição por serem parte significativa do que se vive, é provável que essas restrições ou julgo sejam parte de sua vida pessoal estando presentes no contexto familiar, geográfico ou socioeconômico. Como o NAVIO é carta que supera os obstáculos da montanha por representar o cruzar das fronteiras e o ir além, é o seu sentimento que poderá libertá-la dessa condição angustiante e ela enxerga em André e no amor verdadeiro que sente por ele, uma forma de libertação. Como a sua carta de expressão é o RATO, dificilmente Na André deva ter ciência dessa parte problemática da vida de sua namorada.

A carta das ESTRELAS, na 14ª posição, diz que Lívia no sexo com André a química vai além do corpo, como se fosse uma oportunidade conexão de almas, proporcionando-lhe prazer num nível mais elevado e uma sensação de satisfação plena.
A casa do passado da relação é de domínio do LÍRIO, a carta da anunciação e da eleição dizendo que eles reconheceram algo especial um no outro, que tinham um papel especial nas suas respectivas vidas, que  sua união lhes trazia calma, paz e sentido. Essa pode ser uma pista para a capacidade de superação das dificuldades da relação de ambos e pela visão tão romântica e otimista da relação, bem como a abertura que têm um com o outro.

O futuro é coroado com a carta do BOUQUET. O presente que nada mais é do que um gento e que traz um objeto representando um carinho, um sentimento verdadeiro. Nele reúnem-se as múltiplas cores de diversas espécies de flores e ramagens, cada uma com seu tom, oferecendo o seu melhor e acrescentando com o que tem de melhor, compondo assim a beleza e a harmonia da peça. A unidade na diversidade, as diferenças acrescentam e muito mais é o que os une do que o que os separa. Um futuro de alegria e união os aguarda revelados pelos melhores auspícios. Obstáculos serão superados, declarações feitas e o amor será vivido de forma objetiva, tangível, real. O período que se segue marcará suas vidas pela positiva através da vivência de momentos mágicos e felizes.

É interessante notar a linha do tempo do jogo - PASSADO-PRESENTE-FUTURO.

Nela temos o LÍRIO, o SOL e o BOUQUET. A combinação lembra a passagem da luz por um prisma, onde o branco revela suas múltiplas cores num lindo arco-íris. Isso sugere um desabrochar da vida de casa um, uma união que evidenciará os potenciais latentes de cada um e onde suas diferenças servirão como reforço do sentimento e alicerce para a relação.

Espero que tenham gostado e que o método apresentado lhes seja útil.

O método pode ser aplicado à: 


Saturday, January 19, 2013

Sim, ele é gay. Estou vendo aqui nas cartas! - Baralho cigano e sexualidade

Photo: Sim, ele é gay. Estou vendo aqui nas cartas!  - Baralho cigano e sexualidade

Orientação sexual foi um tema que gerou uma extensa discussão no extinto grupo “Tarologistas”. Vários participantes expuseram suas opiniões tentando descrever cartas e combinações que indicassem homossexualidade no jogo. Posso dizer que pouco ou nada se aproveitou do tanto que se escreveu.

O tema é polêmico, pois ainda é tabu, apesar de ter muito mais visibilidade hoje do que antes. Porém, há uma distância enorme entre ver , compreender e respeitar.

Acho que o profissional que atende o público deve, no mínimo, se informar sobre os temas mais recorrentes em consultas, e sexualidade é um deles. E aí é que está o problema! Muitos falam e falam e até escrevem textos, pois pensam que conhecem o assunto, porém tem um entendimento deficiente e contaminado sobre a questão, gerando mais desinformação e problemas do que se pode imaginar.

Afirmar que uma pessoa é homossexual por ver nas cartas que ela manteve uma relação sexual ou algum outro tipo de envolvimento com outra do mesmo sexo é algo, no mínimo, irresponsável. A palavra e suas variantes são estigmatizadas e trazem consigo um peso que pode afetar profundamente o consulente de forma negativa.

Uma pessoa pode manter uma relação com outro por vários motivos e de várias formas. Desde necessidades econômicas até de manipulação e isso não compromete a sua orientação sexual.
Um homem heterossexual que faz sexo com outro somente pela necessidade de um orgasmo ou para obter algum favor não deixa de ser hetero,  pois ele não está vinculado afetivamente no parceiro, não tem prazer em outro homem, mas age dessa forma por um interesse que não o afetivo. Somente quando há ligação afetiva é que podemos dizer que ele não é heterossexual. 

Relações como essa do exemplo são muito comuns na nossa sociedade que sexualiza precocemente os rapazes incentivando-os a realizar o seu desejo a qualquer custo e tendo sempre em mente que assim ele se fortalece através do domínio do outro, não desperdiçando, as oportunidades que aparecem. Praticamente um fetiche. Enquanto isso as meninas são reguladas por rígidos mecanismos sociais repressores que podem comprometer a vivência plena da sexualidade e a obtenção do prazer, em alguns casos.
Outro erro comum é confundir afeminação e masculinização como indicadores de homossexualidade. Ledo engano. Isso é papel sexual, ou seja, a forma como EXPRESSAMOS a nossa sexualidade e não está diretamente ligada à orientação sexual do desejo que define por quem nos sentimos atraímos.

Nos dias de hoje vemos poucos homens hetero afeminados, muitos delicados e, por incrível que pareça, um número maior de mulheres hetero masculinizadas. Com relação ao tarô, vi muitos descrevendo o pajem de copas que no livro do mago e tarólogo inglês Edward Waite, que é apresentado como um jovem afeminado, como indicativo de homossexualidade masculina. Mesmo? É isso, produção? Enfim...

Encontrei outro exemplo grotesco, mas antropologicamente rico, num tópico que discutia combinações em minha comunidade do Orkut. Diziam que o Homem, carta 28 mais o cão, carta 18 seriam homossexualidade masculina.

Mas, onde foram buscar isso? Não basta associarem gays a pedófilos, agora serão zoófilos, também? Rs
Pois é, mas há lógica aí, mesmo ela se fundamente em conceitos errados pelo senso comum. Quando se fala de um casal de gays, dificilmente, referem-se a eles como namorados e sim como “amigos”. A entonação da palavra chega a mudar: Esse é o Zé, amigo do Mário. Ora, que eu saiba amigo é amigo, namorado é namorado. Eu não faço sexo com meus amigos.

E com isso vai-se desinformando cada vez mais.

Temos de compreender que as variantes não heterossexuais vão além de gay e bi. Se pensarmos somente nesse trio, estaremos sendo incompetentes na análise do assunto.

Gênero e sexo são constantemente mal entendidos. Ter pênis te faz macho, mas não homem. Ter vagina te faz fêmea e não mulher. Parafraseando Simone de Beuvoir: “Uma mulher não nasce mulher, torna-se uma.” Sexo só há dois, gêneros vários! Gêneros são as formas diversas de se viver as masculinidades e feminidades, não estando diretamente ligados ao sexo biológico, o que por vezes, gera uma inadequação que deve ser corrigida para que haja saúde e equilíbrio. Não é alma que se molda ao corpo, mas ele que deve se adequar a ela. 

Algumas vezes nos deparamos com algumas mães e pais que vêm querer saber sobre a sexualidade dos filhos. Quanto a isso não facilito. Isso é uma invasão de privacidade e um assunto que deve ser conversado e esclarecido e não investigado dessa forma. Os pais nessa situação devem respeitar os filhos e procurarem orientação de como lidar com a situação caso ela aconteça e um psicólogo é o mais indicado para isso, não o cartomante.
Como o objetivo desse post não é falar sobre sexualidade, mas de como é vista e trabalhada nas consultas, não me estenderei mais. O meu objetivo é sinalizar alguns pontos para que vocês reflitam e tenham cuidado ao abordar um tema tão delicado.

Então, quais as combinações cartas que falam sobre a diversidade sexual?

Sinceramente, não estou preocupado com isso. O que me interessa é conseguir analisar a forma como as pessoas se unem ou não se unem e orienta-las bem sem fazerem com que se percam em classificações que só segregam, separam e são relevantes ,mesmo, para estudos, pois na vida prática o que vale mesmo é ser feliz.

Mais do que gays, lésbicas, travestis, intersexuais, assexuados, entre outros, existem PESSOAS. E isso é o que importa.

Orientação sexual foi um tema que gerou uma extensa discussão no extinto grupo “Tarologistas”. Vários participantes expuseram suas opiniões tentando descrever cartas e combinações que indicassem homossexualidade no jogo. Posso dizer que pouco ou nada se aproveitou do tanto que se escreveu.

O tema é polêmico, pois ainda é tabu, apesar de ter muito mais visibilidade hoje do que antes. Porém, há uma distância enorme entre ver , compreender e respeitar.

Acho que o profissional que atende o público deve, no mínimo, se informar sobre os temas mais recorrentes em consultas, e sexualidade é um deles. E aí é que está o problema! Muitos falam e falam e até escrevem textos, pois pensam que conhecem o assunto, porém tem um entendimento deficiente e contaminado sobre a questão, gerando mais desinformação e problemas do que se pode imaginar.

Afirmar que uma pessoa é homossexual por ver nas cartas que ela manteve uma relação sexual ou algum outro tipo de envolvimento com outra do mesmo sexo é algo, no mínimo, irresponsável. A palavra e suas variantes são estigmatizadas e trazem consigo um peso que pode afetar profundamente o consulente de forma negativa.

Uma pessoa pode manter uma relação com outro por vários motivos e de várias formas. Desde necessidades econômicas até de manipulação e isso não compromete a sua orientação sexual.
Um homem heterossexual que faz sexo com outro somente pela necessidade de um orgasmo ou para obter algum favor não deixa de ser hetero, pois ele não está vinculado afetivamente no parceiro, não tem prazer em outro homem, mas age dessa forma por um interesse que não o afetivo. Somente quando há ligação afetiva é que podemos dizer que ele não é heterossexual.

Relações como essa do exemplo são muito comuns na nossa sociedade que sexualiza precocemente os rapazes incentivando-os a realizar o seu desejo a qualquer custo e tendo sempre em mente que assim ele se fortalece através do domínio do outro, não desperdiçando, as oportunidades que aparecem. Praticamente um fetiche. Enquanto isso as meninas são reguladas por rígidos mecanismos sociais repressores que podem comprometer a vivência plena da sexualidade e a obtenção do prazer, em alguns casos.
Outro erro comum é confundir afeminação e masculinização como indicadores de homossexualidade. Ledo engano. Isso é papel sexual, ou seja, a forma como EXPRESSAMOS a nossa sexualidade e não está diretamente ligada à orientação sexual do desejo que define por quem nos sentimos atraímos.

Nos dias de hoje vemos poucos homens hetero afeminados, muitos delicados e, por incrível que pareça, um número maior de mulheres hetero masculinizadas. Com relação ao tarô, vi muitos descrevendo o pajem de copas que no livro do mago e tarólogo inglês Edward Waite, que é apresentado como um jovem afeminado, como indicativo de homossexualidade masculina. Mesmo? É isso, produção? Enfim...

Encontrei outro exemplo grotesco, mas antropologicamente rico, num tópico que discutia combinações em minha comunidade do Orkut. Diziam que o Homem, carta 28 mais o cão, carta 18 seriam homossexualidade masculina.

Mas, onde foram buscar isso? Não basta associarem gays a pedófilos, agora serão zoófilos, também? Rs
Pois é, mas há lógica aí, mesmo ela se fundamente em conceitos errados pelo senso comum. Quando se fala de um casal de gays, dificilmente, referem-se a eles como namorados e sim como “amigos”. A entonação da palavra chega a mudar: Esse é o Zé, amigo do Mário. Ora, que eu saiba amigo é amigo, namorado é namorado. Eu não faço sexo com meus amigos.

E com isso vai-se desinformando cada vez mais.

Temos de compreender que as variantes não heterossexuais vão além de gay e bi. Se pensarmos somente nesse trio, estaremos sendo incompetentes na análise do assunto.

Gênero e sexo são constantemente mal entendidos. Ter pênis te faz macho, mas não homem. Ter vagina te faz fêmea e não mulher. Parafraseando Simone de Beuvoir: “Uma mulher não nasce mulher, torna-se uma.” Sexo só há dois, gêneros vários! Gêneros são as formas diversas de se viver as masculinidades e feminidades, não estando diretamente ligados ao sexo biológico, o que por vezes, gera uma inadequação que deve ser corrigida para que haja saúde e equilíbrio. Não é alma que se molda ao corpo, mas ele que deve se adequar a ela.

Algumas vezes nos deparamos com algumas mães e pais que vêm querer saber sobre a sexualidade dos filhos. Quanto a isso não facilito. Isso é uma invasão de privacidade e um assunto que deve ser conversado e esclarecido e não investigado dessa forma. Os pais nessa situação devem respeitar os filhos e procurarem orientação de como lidar com a situação caso ela aconteça e um psicólogo é o mais indicado para isso, não o cartomante.
Como o objetivo desse post não é falar sobre sexualidade, mas de como é vista e trabalhada nas consultas, não me estenderei mais. O meu objetivo é sinalizar alguns pontos para que vocês reflitam e tenham cuidado ao abordar um tema tão delicado.

Então, quais as combinações cartas que falam sobre a diversidade sexual?

Sinceramente, não estou preocupado com isso. O que me interessa é conseguir analisar a forma como as pessoas se unem ou não se unem e orienta-las bem sem fazerem com que se percam em classificações que só segregam, separam e são relevantes ,mesmo, para estudos, pois na vida prática o que vale mesmo é ser feliz.

Mais do que gays, lésbicas, travestis, intersexuais, assexuados, entre outros, existem PESSOAS. E isso é o que importa.

Thursday, January 17, 2013

Quando você faz um pedido a uma estrela seu sonhos se tornam realidade.
 
Photo: A nuvem é algo que não está claro, perturbador, sem substância, impermanente, . Emoções que se sobrepõem ao pensamento. Delírio. Ela só é parece, mas não é. De longe é tudo, de perto nada  além de vapor. Então, se temos uma reincidência dessa carta em nossos jogos ou numa mesma situação, além dela estar sendo mal compreendida ou percebia, as coisas tendem a se desmanchar.
 
A nuvem é algo que não está claro, perturbador, sem substância, impermanente, . Emoções que se sobrepõem ao pensamento. Delírio. Ela só é parece, mas não é. De longe é tudo, de perto nada além de vapor. Então, se temos uma reincidência dessa carta em nossos jogos ou numa mesma situação, além dela estar sendo mal compreendida ou percebia, as coisas tendem a se desmanchar.
Photo: Afinal, só com combinações que funciona o Baralho Cigano?
A ideia de que o Baralho Cigano só funciona com combinações é muito difundida tanto no Brasil como no resto do mundo. Isso é parte de um assunto que irei abordar aos poucos: a diferença entre tarô e baralho cigano. Essa busca de uma identidade própria para o oráculo é, na verdade, uma necessidade coletiva de fazer diferente e de se ter algo novo, original, mais prático, mais simples e ao mesmo tempo tão eficaz quanto o anterior.

Já li exaustivas discussões na rede e a parte desse extenso assunto que nos interessa de momento é o fato de afirmarem que com o tarô podemos responder uma pergunta com uma só carta, enquanto com o lenormand precisamos de, pelo menos, de um par. Bem, disso discordo totalmente.

Apesar de o tarô ter uma iconografia mais complexa e elaborada que a do lenormand, não podemos dizer que ele fale mais, até porque o tarô tem a desvantagem de ter símbolos que já não fazem mais parte do imaginário coletivo precisando serem estudados a fundo e re-conhecidos para que façam sentido, enquanto no baralho cigano eles são cotidianos, o que nos permite uma vivência direta, a produção de sentido mesmo sem estudos prévios e, consequentemente, a oportunidade de desenvolver um entendimento mais profundo. Combinações também fizeram parte da história do tarô, basta olharmos para os livros mais antigos. Essa riqueza de significados que temos atualmente foi construída ao longo dos séculos através das associações com o ocultismo e a psicologia, pois, no começo, o tarô era lido com palavras-chave e combinações, igualzinho o lenormand.

Tarô também é cartomancia.

Essa falsa necessidade exclusiva de leitura em pares atribuída ao baralho cigano vem, justamente, da falta de um estudo mais elaborado de seus símbolos. Ainda nos limitamos às palavras-chave e a carência de obras que atendam às necessidades dos estudantes é uma realidade global. Afirmar que o lenormand só dá respostas a partir de pares, é dizer que seus símbolos são incompletos, ou mesmo pobres, quando, a verdade, são riquíssimos. Ora, se o lenormand veio dos jogos de conversação, dos “parlour”, e representa em suas imagens cenas do dia-a-dia temos, já aí, a chave para uma interpretação rica e que responderá seja com uma carta, um par ou trio.

As combinações enriquecem as leituras e constituem uma rica fonte de estudos, porém não são a única forma de leitura possível.

A profundidade e riqueza da análise de um símbolo é proporcional ao nível de conhecimento que o intérprete possui.
Afinal, só com combinações que funciona o Baralho Cigano?

A ideia de que o Baralho Cigano só funciona com combinações é muito difundida tanto no Brasil como no resto do mundo. Isso é parte de um assunto que irei abordar aos poucos: a diferença entre tarô e baralho cigano. Essa busca de uma identidade própria para o oráculo é, na verdade, uma necessidade coletiva de fazer diferente e de se ter algo novo, original, mais prático, mais simples e ao mesmo tempo tão eficaz quanto o anterior.

Já li exaustivas discussões na rede e a parte desse extenso assunto que nos interessa de momento é o fato de afirmarem que com o tarô podemos responder uma pergunta com uma só carta, enquanto com o lenormand precisamos de, pelo menos, de um par. Bem, disso discordo totalmente.

Apesar de o tarô ter uma iconografia mais complexa e elaborada que a do lenormand, não podemos dizer que ele fale mais, até porque o tarô tem a desvantagem de ter símbolos que já não fazem mais parte do imaginário coletivo precisando serem estudados a fundo e re-conhecidos para que façam sentido, enquanto no baralho cigano eles são cotidianos, o que nos permite uma vivência direta, a produção de sentido mesmo sem estudos prévios e, consequentemente, a oportunidade de desenvolver um entendimento mais profundo. Combinações também fizeram parte da história do tarô, basta olharmos para os livros mais antigos. Essa riqueza de significados que temos atualmente foi construída ao longo dos séculos através das associações com o ocultismo e a psicologia, pois, no começo, o tarô era lido com palavras-chave e combinações, igualzinho o lenormand.

Tarô também é cartomancia.

Essa falsa necessidade exclusiva de leitura em pares atribuída ao baralho cigano vem, justamente, da falta de um estudo mais elaborado de seus símbolos. Ainda nos limitamos às palavras-chave e a carência de obras que atendam às necessidades dos estudantes é uma realidade global. Afirmar que o lenormand só dá respostas a partir de pares, é dizer que seus símbolos são incompletos, ou mesmo pobres, quando, a verdade, são riquíssimos. Ora, se o lenormand veio dos jogos de conversação, dos “parlour”, e representa em suas imagens cenas do dia-a-dia temos, já aí, a chave para uma interpretação rica e que responderá seja com uma carta, um par ou trio.

As combinações enriquecem as leituras e constituem uma rica fonte de estudos, porém não são a única forma de leitura possível.

A profundidade e riqueza da análise de um símbolo é proporcional ao nível de conhecimento que o intérprete possui.

Thursday, January 03, 2013

SIBILAS

Conhecida como a Sibila dos Salões, Mlle Lenormannd encantou a nobresa francesa. Sibilas são também baralhos utilizados para prátticas divinatorias comuns entre os séculos XVIII e XIX. Seu nome é uma referência à famosa profetisa.

“O termo “Sibila” é muito antigo, pois remonta à Grécia Clássica; no entanto, ignora-se o seu significado. Muitos escritores falaram dessa misteriosa adivinha, sempre no singular, sem especificar de onde desenvolvia a sua actividade; depois quando a civilização grega se difundiu, as profecias dos diversos lugares receberam o nome genérico de “sibilas”. Em Roam existiu uma colecção de livros proféticos, os Livro Sibilinos, que, de acordo com a lenda, foram transferidos para a cidade, vindos de Cuma, por Lúcio Tarquino, o Soberbo, rei Etrusco de Roma entre 534ª.C. e 509 a.C. Os Livros forma depositados nos Templo Capitolino, onde os sacerdotes os consultavam nos momentos mais graves. No ano de 83 a.C. foram destruídos por um incêndio, e embora o senador Romano tenha ordenado que fossem de novo redigidos, acabaram por ser definitivamente destruídos no ano de 405 da nossa era por ordem de Estilicão, general romano de Fé Cristã. O Mito da Sibila sobreviveu graças aos Oráculos Sibilinos, redigidos em ambientes hebraicos e cristão entre os séculos II a.C. e VII d.C. Graças à semelhança entre alguns fragmentos dos Oráculos e algumas profecias bíblicas, as sibilas eram veneradas como profetas, e na Idade Média os seus rostos apareceram pintados em numerosas Igrejas, muitas vezes acompanhados de breves inscrições que sintetizavam a mensagem de alguma das profetizes. Este sistema foi adoptado pelos impressores e manteve-se até o século XVIII. (…)”

Giordano Berti

Duas Sibilas
As Sibilas, sacerdotisas encarregadas da decifração dos oráculos (as respostas que os deuses davam às perguntas que lhes eram dirigidas), sempre usavam as sutilezas da linguagem para oferecer a duplicidade de sentido, através do jogo de palavras dúbias ou do deslocamento da vírgula.

Duas delas, a Sibila de Delfos e a Sibila de Cumas, desfrutaram de grande prestígio na Antiguidade. Estavam associadas ao deus Apolo e utilizavam-se dos vapores emanados de fendas de grutas para fazer suas previsões.


A Sibila de Delfos
Conta-se que um guerreiro, ao consultá-la para saber se voltaria vivo de uma guerra, recebeu como resposta:
Ibis, redibis, non morieris in bello. Irás, voltarás, não morrerás na guerra.

Uma frase propositalmente ambígua com o sentido ao sabor da virgulação:

Ibis, redibis non, morieris in bello. Irás, voltarás não, morrerás na guerra.

A resposta da Sibila de Delfos é também apresentada nesta versão:

Ibis redibis nunquam in bello peribis. Irás, voltarás, nunca na guerra perecerás.

Ibis, redibis nunquam, in bello peribis. Irás, voltarás nunca, na guerra perecerás.

► Na linguagem moderna, um ibis redibis vem a ser um texto obscuro ou ambíguo.

A Sibila de Cumas

Seus oráculos foram reunidos em nove livros, que a profetisa ofereceu ao último dos sete reis de Roma, Tarquínio, o Soberbo, por um preço exorbitante. Como o rei recusasse a oferta, Sibila queimou três dos livros, oferecendo, posteriormente, os seis restantes pelo preço original. O rei negou a proposta novamente. Sibila, então, queimou mais três, apresentando os demais sem reduzir o preço. Surpreso por tamanha obstinação, o rei acabou aceitando a oferta. Os livros ficaram guardados no Templo do Capitólio em Roma, e eram consultados pelo Senado em todas as emergências. Mas, quando do incêndio do templo, também arderam nas chamas.

Paulo Gurgel

FÉ ::: AMOR ::: ESPERANÇA


CASOS DE CONSULTÓRIO II - VOU CONHECER ALGUÉM NO SHOPPING


Questões sobre vida afetiva são o “top” do momento em nossos consultórios. O segundo post da série casos de consultório traz mais uma vez o meu intuitivo amigo em sua ávida busca por conquistas afetivas. Dessa vez ele estava no ônibus a caminho de um shopping center na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, e teve “aquele feeling” de que algo aconteceria. Prontamente me ligou, conversamos um pouco e, então tirei “três cartinhas” para ele.

A primeira carta foi o cavaleiro. O galante cavaleiro em seu cavalo branco é sempre um forte indicativo de uma conquista no campo afetivo. Alguém que chega para nos conquistar ou que nos conquista. Sucesso imediato que não garante relacionamentos duradouros, mas que pode ser um começo. Disse-lhe que as possibilidades de conhecer alguém e de ter uma aventura eram fortes confirmando seu acertado pressentimento.

Ao lado do cavaleiro saiu o Jardim. A carta 20 representa os grupos, as reuniões e festas, os lugares onde as pessoas convergem e socializam, interagem, veem-se e mostram-se, onde as uniões e ligações acontecem. Bem, um cavaleiro entrando num jardim é uma combinação altamente auspiciosa. O tema relacionamentos exaltou-se nas primeiras cartas que encerram em si a essência da pergunta potencializando-se e indicando que seria praticamente inevitável acontecer um encontro romântico.

Indo mais fundo na combinação, vemos não só o reforço do tema, mas a carta 20 representando um local. O jogo estava dizendo onde se daria esse encontro! Ora, num shopping center e fácil ver onde estaria o jardim: na praça de alimentação e, em segundo lugar, o estacionamento! Afinal, é para onde as pessoas convergem e circulam. De imediato transmiti ao meu amigo a mensagem dizendo que o encontro poderia acontecer em um dos dois lugares o que o deixou mais atento e bastante entusiasmado.

A última carta, como sempre, deixou aquele mistério no ar: o lírio. Como entende-la nesse contexto?

O problema de muitos é ficarem presos a uma ou duas palavras-chave comprometendo o entendimento do símbolo e a mensagem que é transmitida.

O lírio se explica pelo simbolismo cristão. Ele foi dado à Maria pelo arcanjo Gabriel no momento da anunciação, quando Nossa Senhora soube que carregava em seu ventre o filho de Deus. Essa passagem nos remete a três significados básicos da carta: a concepção sem um parceiro e, consequentemente, sem o ato sexual indica realizações sem grande esforço e com muitas facilidades. Ajudas de pessoas ou situações importantes; virgindade e pureza e: ELEIÇÃO. Ela designa os escolhidos. Nem todos os santos que carregam a flor são virgens, mas foram escolhidos pelo divino para propósitos específicos por possuirem as qualidades e virtudes necessárias. O que me veio à cabeça foi que essa pessoa se destacaria de alguma forma da multidão e que ele a reconheceria por uma marca, por algo que o colocasse em evidência tornando fácil o seu reconhecimento e que tudo fluiria sem grandes esforços.
Observando um panorama geral concluí, devido à sequência CAVALEIRO – JARDIM que o encontro poderia se dar em algum percurso, chegando num local ou se dirigindo a ele. As duas cartas implicam em movimento, o cavaleiro por seguir uma direção e os jardins por representarem o fluxo de pessoas num local, o que me inspirou essa ideia.

Tarde da noite, no mesmo dia da ligação, recebo a chamada do meu amigo para me contar o que aconteceu.

O seu relato foi bem interessante. Chegando ao shopping, ele foi direto para a praça de alimentação, mas não viu ninguém. A seguir foi ao estacionamento e nada. Como sua busca foi inicialmente infrutífera, meu amigo decidiu esquecer isso tudo e foi passear. Antes de ir embora foi fazer um lanche na praça de alimentação e já nem lembrava mais da previsão. Terminando de comer foi ao banheiro e quando estava lavando as mãos o inesperado, ou melhor, o EPSERADO aconteceu. Ele percebeu que um rapaz olhava-o de forma penetrante pelo espelho sem esconder seu interesse. Bonito e forte, do jeito que ele gosta! Algo lhe chamou a atenção nessa pessoa. Ela se destacava de todos à volta por estar todo vestido de branco. Quando se deu conta desse detalhe, soube na hora que seria ele a sua paquera afirmada pelas cartas! O rapaz saiu do banheiro antes dele e meu amigo apressou-se em sua higiene, mas quando saiu já o tinha perdido de vista. Com todas as informações que recebeu da consulta, dirigiu-se imediatamente para o estacionamento, porém não o encontrou lá. Seguindo as orientações seguiu para a praça de alimentação encontrando-o no caminho. Quando o rapaz de branco o viu, cumprimentou-o e aproximou-se. Após uma breve apresentação disse que trabalhava no shopping como cabelereiro e que estava voltando do estacionamento indo para a praça de alimentação fazer um lanche. Convidou o meu amigo para lhe acompanhar, bateram um papo e acabaram ficando. Tudo acabou numa gostosa aventura que é lembrada até hoje.

O oráculo nos proporciona uma visão ampla da vida e do seu fluxo, mas não nos dá controle sobre o tempo. Há situações que podem e devem ser adiadas ou evitadas e outras que não, porém temos que entender que a vida é um fluxo, que funciona em harmônicas como se fosse uma grande sinfonia. Para que possamos influenciar eventos e causar as transformações necessárias ou ir de encontro ao que queremos, precisamos respeitar o tempo das coisas e saber nos mover no ritmo da vida.

Encerro esse texto com as palavras da querida amiga Zoe de Camaris retirada do seu texto “NIKITA, ou A Arte de Encontrar Gatinhos Perdidos” que é um deleite e encerra a essência da cartomancia e da leitura ideal: simples, objetiva e eficaz.

(subistituam Tarot por Baralho Cigano e leiam!)

“No meio de tantos livros sobre o Tarot, um mar de maionese esotérica cheio de correlações inúteis, vale o Tarot como uma coleção de imagens que se basta.
É suficiente lê-lo.”

http://zoedecamaris.blogspot.com.br/2005/07/nikita-ou-arte-de-encontrar-gatinhos.html
— with Zoe de Camaris.

CASOS DE CONSULTÓRIO - CONHECEREI ALGUÉM NA FESTA?


Intuição e conhecimento simbólico são a combinação perfeita para uma leitura precisa.

Há uns anos atrás abri o jogo para um amigo próximo que veio até mim por ter tido um “feeling” de que conheceria alguém numa festa de rua que aconteceria numa praça perto de minha casa.

Ele pediu que visse no baralho cigano se haveria chances de encontrar uma pessoa para ele lá, pois não era um ambiente exclusivamente gay.

Sentamos em minha cama e pedi que tirasse três cartas. Ao fim obtivemos a sequência:

Carta 2, o Trevo – Carta 28, o Cavalheiro – Carta 26, o Livro.

O trevo, a carta da sorte e das pequenas e simples ações de hoje que podem gerar grandes benefícios futuros, exige um pequeno movimento para que isso se ative. Encontrá-lo pede procurar em meio aos seus muitos irmãos trifólios. Confirmava-se, com isso uma boa oportunidade surgindo com uma aparência simples e nada glamorosa, porém feliz. No entanto, era preciso iniciativa e movimento por parte do meu amigo como um pequeno gesto e uma aproximação.

A segunda carta, o cavalheiro, representa o consulente, no caso de um homem e quando aparece num jogo é o indicativo de poder de ação da pessoa sobre a questão e exige ele aja para que tenha realização sem esperar por milagres ou pelos outros. Tudo vem através de suas próprias mãos. Mais um reforço para os trevos na primeira posição que dizem que não se deve esperar nada cair do céu.
O trevo e o homem. A sorte em seu caminho.

Até agora, as duas cartas indicam realização e que o consulente é o único responsável por ela, mas e o livro?
Segredos? Estudos profundos? Silêncio? Nada fazia sentido até que lembrando os significados da carta que representa o que está velado e oculto, completei a leitura dizendo que meu amigo procurasse um lugar de penumbra, onde houvesse pouca iluminação, pois seria lá que encontraria o que buscava. Ora, se o livro é segredo, introspecção e mistério e ele iria para uma festa de rua, essa seria a melhor forma de contextualizar a carta na questão.

No dia seguinte ele me disse ter encontrado alguém exatamente como as cartas tinha descrito. Depois de passear um pouco pela festa, o meu amigo percebeu que havia uma parte onde amendoeiras estavam bloqueando parcialmente a luz dos postes fazendo muita sombra, então ali mesmo ele ficou. Menos de 15 minutos depois passou por ele um rapaz jovem, bonito e atraente, segundo ele, vestido de forma simples em uma bicicleta. Trocaram olhares, porém ele se foi. Pouco tempo depois o rapaz passou de novo e olhou para ele que, instintivamente, acenou com a mão e chamou-o para conversar. O final da história a gente já sabe. As cartas confirmaram que seus pressentimentos estavam corretos.

A prática exige que estejamos à vontade com o oráculo e familiarizados com seus símbolos de forma que fluam dentro de nós numa leitura e nos orientem para onde temos de olhar e o que ver. Muitas vezes, uma interpretação simples vale mais do que cansativas elucubrações.

Quatro elementos são essências para uma boa leitura:
Conhecimento, intuição, criatividade e imaginação.
Entender o símbolo em suas múltiplas possibilidades, interioriza-lo e deixar essas informações fluírem. A seguir colocar as imagens em ação e recriar momentaneamente a realidade observada. Um trabalho difícil inicialmente, porém indescritivelmente prazeroso e preciso com o tempo.
Dialogar com o oráculo é fluir com a vida.